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Mehmari mostra versatilidade em dois novos discos

Pianista transita com naturalidade entre o erudito e o popular

Lucas Nobile - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2013 | 14h00

Depois de se apresentar em diversas cidades brasileiras e em países da Europa, América do Sul e EUA, onde mostrou diferentes trabalhos, com formações distintas (piano solo, duos com Hamilton de Holanda, Monica Salmaso ou com o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi, trios, o projeto Triz, integrado por ele, por Chico Pinheiro e Sérgio Santos, quintetos e concertos com orquestras), André Mehmari chega ao final de 2013 com seis shows pelo Japão.

A temporada movimentada, como de costume na carreira do prolífico Mehmari, que já lançou mais de 20 discos (fora aqueles em que participou como instrumentista, compositor ou arranjador), marca seus 25 anos de carreira. Precoce, o pianista de 36 anos, nascido em Niterói, ganhou seus primeiros cachês aos 11, quando se apresentava em casamentos em Ribeirão Preto, cidade para onde seus pais haviam se mudado.

Recentemente, ele lançou dois álbuns que afirmam sua versatilidade. Um deles é André Mehmari e Mário Laginha – Ao Vivo no Auditório Ibirapuera, registro duo entre o pianista brasileiro e o português realizado em julho de 2012.

O álbum mescla composições de Mehmari e de Laginha, com destaque para o diálogo entre Um Fadinho Feliz e Um Choro Feliz. Os dois fazem show de lançamento do disco no começo de 2014, no mesmo local onde gravaram o álbum.

Dois pianos é desafiador! São dois músicos que têm à disposição um instrumento completo e autossuficiente. Então, há que se ouvir muito o outro e dar espaço, para que a textura não fique demasiadamente densa e opaca. Felizmente encontramos rapidamente um caminho muito bom para equilibrar nossos anseios musicais e fazer uma arte fluente e espontânea - ao mesmo tempo que rigorosa”, comenta Mehmari.

O outro álbum é Angelus – Música de Câmara de André Mehmari, que reúne pela primeira vez em CD composições do músico para grupos de câmara.

“É um disco ímpar na minha produção. As composições foram feitas num espaço de dez anos e somente agora foram registradas. Todas as obras tiveram suas primeiras gravações aqui, exceto a faixa bônus (‘Cantiga e Divertimento, interpretada por ele e por Sebastião Interlandi Jr., na flauta)”, diz Mehmari.

O nome Angelus surgiu da obra Quinteto Angelus, uma encomenda feita pelo Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo em comemoração dos 70 anos do grupo, criado por Mário de Andrade em 1935.

No álbum, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo interpreta os temas Quinteto Angelus, composto por cinco movimentos, e Cheio de Dedos, composição de Mehmari indiretamente inspirada em Guinga e que brinca com a “ideia das cordas beliscadas do choro”. Quem também participa do disco é o Sujeito a Guincho, que dialoga musicalmente com Mehmari há mais de uma década e interpreta A Vida das Moscas e Lullaby.

“Esse disco representa muito bem minha postura musical desde sempre. Como toda minha música, pode ter um público tão diverso e variado quanto as influências e correntes que formaram minha linguagem e estilo pessoal ao longo dos anos. Para ser sincero, eu espero que o ouvinte que já acompanha minha produção há um tempo nem se preocupe muito com o ‘nome das coisas’ e sim com a própria essência das coisas”, comenta Mehmari sobre transitar com naturalidade entre erudito e popular, característica sempre presente em suas obras.

O próximo projeto de Mehmari é um DVD com Gabriele Mirabassi, que deve ser lançado depois do carnaval.

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