Mehldau fecha as noites de jazz do Bourbon Street

Pat Metheny, que sabe das coisas, diz dele: "Desde Herbie Hancock não há um pianista tão ´exciting´". Brad Mehldau, o alvo do elogio, vem comprovar que o merece, em dois shows em São Paulo, hoje e amanhã, encerrando o Diners Club Jazz Nights, no Bourbon Street Music Club. Mehldau substitui o veterano Ellis Marsalis (que cancelou a vinda por problemas de saúde na família) e, com certeza, seria uma heresia falar que vem como um tapa-buracos.Mehldau veio a São Paulo em 2000 e tocou no teatro Alfa, acompanhando uma cantora holandesa, Fleurine. Mas esta é a primeira vez que ele vem com força total, com seu trio, incluindo os músicos e amigos com que toca há cerca de sete anos, o baterista Jorge Rossy e o contrabaixista Lawrence "Larry" Grenadier.Mehldau nasceu em Jacksonville, na Flórida, tem 32 anos. Dos seis aos 14 anos, aprendeu piano clássico. Estudou piano e composição musical, com professores de formação jazzistica. Tocou em clubes sob a influência de Kenny Barron e Cedar Walton. Em 1994, Mehldau fez parte da turnê européia do quarteto de Joshua Redman e no ano seguinte, criou seu trio, que é este dos shows do Bourbon Street.Do mesmo ano é seu primeiro disco, Introducing Brad Mehldau, em que ele mostrou sua arte de intérprete, mas do qual o melhor são as composições do próprio Mehldau, em que ele explora um fraseado interrompido por dissonâncias e elipses, com a utilização de recursos da música erudita, tocando jazz com um tempero que incluía Beethoven e Brahms.O curioso desse interface com a música clássica é que Mehldau escapa do virtuosismo e da frieza que caracterizam outro músico dado a isso, Wynton Marsalis, que às vezes deixa um tanto a emoção e o colorido de lado em proveito da perfeição técnica.Brad, a par disso, tem, até pela idade, uma formação de música pop e de rock, que o tornam único. Ele toca músicas de Paul McCartney (Blackbird) e Radiohead, ou ainda do Supertramp. Fez um disco homenagem a Nick Drake , que numa entrevista a O Estado de S.Paulo, disse: "O rock definitivamente foi uma influência para mim - o jeito de escrever música, por exemplo, e o senso de melodia. Jazz, pop music e música clássica me influenciaram. E alguém como Nick Drake eu não acho que seja pop ou rock ou folk. São apenas grandes, belas e tristes canções."Considerado um dos melhores pianistas da atualidade, ele reúne prêmios e indicações a troféus desde 1997. Art of the Trio 4 foi indicado ao Grammy e tem belíssimas execuções de standards como I´ll be Seeing You e All the Things You Are, além da surpreendente Solar, de Miles Davis. Ele lembra cada vez mais Bill Evans, talvez seu melhor modelo.Brad Mehldau Trio. Hoje e amanhã, 22 h no Bourbon Street Music Club R. dos Chanés, 127 - tel. 5561-1643). Preços de R$ 10 a R$ 65 (em pé).

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