Megassérie da GNT conta a história do jazz

O primeiro disco de jazz da história foi gravado em 1917 pelo grupo do bandleader Dominic "Nick" LaRocca (1869-1961), pela emergente Victor Records, tendo como estrela a Original Dixieland Jass Band. De um lado do single, estava a canção Dixie Jass Band One-Step. Do outro, Livery Stable Blues. Essa gravação, do tempo em que se grafava jazz com s, vendeu em um ano cerca de meio milhão de exemplares ao redor do mundo, o que foi um espanto para a época.No entanto, 1917 não foi o ano inaugural do jazz, que começou a se gestado bem antes. Essa história e toda a história da saga do gênero musical que melhor se identifica com a cultura americana está em Jazz, de Ken Burns, a megassérie televisiva que chega ao Brasil na segunda-feira, na GNT, às 23h15. O documentário consumiu US$ 13 milhões e apresenta cerca de 500 músicas.Dividido em 12 capítulos, Jazz, de Ken Burns traz depoimentos de músicos como o cantor Harry Connick Jr. e o trompetista Wynton Marsalis, revela documentos inéditos como uma filmagem em Super-8 da turnê de Benny Goodman e tem participações dos atores Samuel L. Jackson, Matthew Broderick e Delroy Lindo."Jazz é o que nós, americanos, somos", disse Ken Burns diretor da série, em entrevista. "O senso de coletividade que preserva o individual é, antes de tudo, um sonho americano", afirmou Burns, diretor que, na avaliação do historiador Stephen Ambrose, ensina mais aos americanos sobre sua história do que qualquer outra fonte.Burns dirige documentários há 20 anos. Em 1981, ele dirigiu Brooklyn Bridge, que recebeu o prêmio da Academia de Hollywood. Depois fez outros dois documentários históricos superpremiados: The Civil War (1990) e Baseball (1994).Segundo Burns, Jazz é o final de uma trilogia, que começa na verdade com The Civil War. Ao todo, a pretensão de contar a história da América por meio dessas três sagas consumiu 16 anos de sua vida, conta. Jazz tem cerca de 19 horas de imagens e 75 entrevistas.A ambição de Burns não é pequena. Ele diz que entender o único gênero musical que se forma com e ao lado dos americanos é também um jeito de entender uma raça. "Mas é também o estudo do século 20, de duas guerras mundiais, uma devastadora depressão econômica, acontecimentos para os quais o jazz foi uma trilha sonora", pondera. "Também é falar sobre sexo, sobre o jeito como homens e mulheres falam uns com os outros, sobre drogas e o terrível custo da dependência, sobre extraordinários seres humanos; é o chamado maternal da América", diz.O que define um e outro - o jazz e os Estados Unidos -, na sua visão, é o senso de improvisação. Burns conta que não era um grande ouvinte do gênero, até começar seu trabalho. Tinha dois discos de jazz no início e hoje tem centenas.Nesta segunda-feira, o primeiro capítulo da série, Gumbo: Begginings to 1917, remonta o amálgama inicial do gênero, que começa na última década do século 19, com as bandas de dixieland, blues e swing. Tudo misturado desemboca na gravação histórica do grupo branco de Nick LaRocca. Na terça, The Gift: 1917 to 1924 trata da cena jazzística mais fértil daquela era em três cidades: Chicago, Nova York e New Orleans.É em New Orleans que surge aquele que Burns considera o maior e mais influente jazzista do século, Louis Armstrong. Menor abandonado, o trompetista Satchmo (apelido de Armstrong) cresceu em prostíbulos e sua genialidade ajudou a compor o eclético painel do jazz que se formaria nos anos seguintes.No terceiro programa, surgem Bessie Smith, a imperatriz, do blues, e o judeu Benny Goodman, além do Cotton Club que Duke Ellington ajudou a tornar lendário no Harlem, em Nova York.Os anos 30 trazem a era do swing e a falta de dinheiro. As bandas de Glenn Miller, Tommy Dorsey, Benny Goodman e Jimmie Luncerford arrepiam os salões. Billie Holiday torna-se uma lenda. Nos anos 40, Ella Fitzgerald surge e também aparecem alguns revolucionários, como Dizzie Gillespie, Charlie Parker, Coleman Hawkins e Lester Young.Os anos 50 trazem o cool jazz e também o talento do pianista Thelonious Monk, e também arranjadores e compositores de talento vanguardístico, como Gil Evans, Dave Brubeck e John Lewis. No sábado, dia 9, a série termina com A Masterpiece by Midnight: 1960 to Present, que traz uma geração inquieta e problemática, mas igualmente genial, na qual se incluem o baixista Charles Mingus e os saxofonistas Dexter Gordon e Wynton Marsalis.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.