Jason Redmond/AP
Jason Redmond/AP

Médico de Michael Jackson é acusado de homicídio culposo

Sedativo que Murray deu ao astro para diminuir sua insônia causou intoxicação aguda no rei do pop

Associated Press

08 Fevereiro 2010 | 18h28

A procuradoria de Los Angeles acusou nesta segunda-feira, 8, o médico de Michael Jackson, Conrad Murray, 56, de homicídio culposo (sem intenção), concluindo a exaustiva investigação da polêmica morte do astro.

 

Murray se declarou inocente perante a Corte Superior de Los Angeles, horas depois de ser acusado formalmente pela morte do astro.

 

Murray, cardiologista que estava com Jackson quando ele morreu em sua mansão alugada em Los Angeles em 25 de junho, foi acusado de agir "contra a lei e sem intenção" na morte do rei do pop, de acordo com uma denúncia apresentada por procuradores, que afirma que o médico agiu "sem o cuidado e circunspecção devidos" quando administrou um poderoso sedativo a Jackson em uma tentativa de ajudá-lo a conseguir dormir.

 

A acusação já era esperada e o advogado de defesa de Murray, Ed Chernoff, disse que seu cliente planejou se entregar as autoridades nesta segunda. "Nós vamos pagar a fiança, nos declarar inocentes e lutar", disse Chernoff antes de a acusação ser arquivada.

 

Michael contratou Murray para ser seu médico pessoal enquanto se preparava para uma série de shows que faria em Londres, marcando sua volta aos palcos. Oficiais afirmam que o cantor morreu depois que o cardiologista o deu propofol, um forte anestésico geral, misturado a mais dois sedativos para que seu paciente conseguisse dormir.

 

Depois de revisar exames toxiológicos, o legista responsável determinou que a morte do astro aos 50 anos foi causada por uma intoxicação aguda causada pelo propofol, agravada em combinação com os outros dois sedativos.

 

O propofol só pode ser administrado por um anestesista profissional em um hospital, pois ele diminui os batimentos cardíacos, o ritmo da respiração e a pressão sanguínea.

 

Murray aparentemente obteve a droga legalmente, e seu uso não é um crime em si. Para mostrar que o médico foi negligente no caso, detetives conversaram com mais de dez médicos especialistas para avaliar se seu comportamento foi irresponsável.

 

De acordo com documentos, Murray disse à polícia que deu o propofol a Michael um pouco antes das 23h, e depois saiu do quarto do astro para ir ao banheiro. Ainda há discussões sobre o que aconteceu depois. Murray disse à polícia que depois que voltou do banheiro, ele viu que Michael não estava respirando e começou a tentar reanimá-lo.

 

Contudo, até 00h21, nenhuma ambulância ainda havia sido chamada, e Murray passou 47 minutos fazendo chamadas para celulares após as 23h, segundo a polícia. O advogado do médico afirmou que os investigadores não entenderam o que seu cliente os disse, e Murray achou Michael já sem vida por volta da meia noite.

 

A investigação englobou vários departamentos da polícia e ouviu várias testemunhas, incluindo os que estavam presentes nos últimos dias do astro, os que estavam trabalhando com ele na preparação de seus shows em Londres, e membros de sua comitiva pessoal, como seus seguranças e assistentes pessoais.

 

Dose cirúrgica

 

A dose de anestésico propofol que causou a morte a Michael Jackson foi a equivalente a utilizada em uma "cirurgia delicada", segundo o relatório completo do legista da autópsia do rei do pop divulgado nesta segunda.

 

Há meses as autoridades anunciaram que o cantor havia morrido em consequência de uma "intoxicação aguda" de remédios, apesar de ter sido confirmado nesta segunda-feira que a causa da morte foi uma excessiva quantidade de propofol em seu corpo.

 

O médico de Jackson admitiu nos interrogatórios policiais que forneceu propofol a Jackson junto com outros fármacos no dia morte para combater a insônia. Conforme a autópsia, a dose foi excessiva e administrada sem o cumprimento dos requisitos médicos necessários para o emprego desse tipo de substância utilizada em hospitais. "As recomendações de atenção para a aplicação de propofol não foram cumpridas", afirmou o documento legista.

 

"As equipes responsáveis por observar os sinais vitais do paciente, fornecer com precisão as doses e realizar reanimações não estavam presentes", indicou o documento.

 

Na casa de Jackson foi encontrado um tanque de oxigênio vazio e o equipamento estava desligado. Os legistas assinalaram que os sedativos fornecidos por Murray além do propofol poderiam ter contribuído para aumentar o efeito do anestésico.

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