Associated Press
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Médico de Michael esperou 82 minutos para chamar emergência

O cardiologista Conrad Murray teria passado o dia administrando medicamentos para a insônia do cantor

25 de agosto de 2009 | 11h20

O médico do cantor Michael Jackson, o cardiologista Conrad Murray, que esteve com o cantor durante todo o dia na data de sua morte, demorou mais de uma hora para ligar para a emergência após notar que o astro não estava mais respirando, revela uma reportagem publicada nesta terça-feira, 25, na edição online da revista People.

 

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A revista, que cita um mandado de busca dos investigadores da Polícia de Los Angeles, afirma que o médico só ligou para o resgate 82 minutos depois de ter percebido que Michael não respirava mais. Segundo as autoridades, Murray passou o dia com o 'rei do pop' administrando medicamentos para seu tratamento contra insônia, o que é apontado como a causa da morte do cantor no relatório policial.

 

O documento, entretanto, afirma que os detetives ainda estão determinando a morte do cantor foi causada pela ação de um só médico ou do "tratamento negligente de vários profissionais" ao longo do tempo.

 

Documentos policiais citados pelo jornal Los Angeles Times afirmam que a morte do astro foi causada por uma dose letal do anestésico propofol misturada com outros remédios. Na ordem de revista emitida para investigar consultórios, farmácias e residências em Houston, Texas - supostamente relacionadas a Murray -, foi mencionada que na perícia realizada pelas autoridades foram encontrados níveis excessivos de propofol no sangue do artista.

 

O relatório policial informou que Murray admitiu, em interrogatórios, que estivera tratando Jackson de insônia durante as seis semanas que precederam a sua morte - e que, para isso, tinha usado diferentes remédios. O cardiologista teria começado por injetar no artista 50 miligramas de propofol, mas teria diminuído progressivamente a dose por temer que Jackson pudesse estar criando uma dependência ao medicamento.

 

Murray afirmou ter reduzido à metade a quantidade do anestésico e combinou seu efeito com o de dois sedativos, lorazepam e midazolam. Ele também afirmou que, dois dias antes da morte do cantor, retirou o propofol da mistura.

Em 25 de junho, dia da morte de Jackson, Murray explicou que, à 1h30 (horário local), injetou Valium no artista para ajudá-lo a dormir. Como o astro continuava reclamando de insônia, ele teria ministrado lorazepam meia hora mais tarde.Jackson continuou acordado. Por isso, às 3 horas, o especialista decidiu aplicar midazolam, ao qual se seguiram, sem sucesso, outras substâncias não especificadas, até que o médico injetou 25 miligramas de propofol, às 10h40. Murray afirmou que Jackson tinha pedido reiteradamente que fosse aplicado esse anestésico.

O artista finalmente teria dormido e o médico, saído para fazer algumas ligações telefônicas, segundo contou à polícia. Ao voltar ao quarto, por voltas das 11 horas, ele percebeu que o cantor não respirava. Murray, então, teria começado a praticar a reanimação cardiopulmonar e teria injetado outra droga no cantor para reverter os efeitos do anestésico, até a chegada dos serviços de emergência.

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