Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

McCartney de alma, mente e mão certa

Fã de carteirinha do ex-beatle, músico destro aprendeu a tocar baixo como canhoto

João Paulo Carvalho - estadão.com.br,

17 de junho de 2012 | 15h20

O compositor mais bem-sucedido de todos os tempos é canhoto. Paul McCartney, que completa 70 anos nesta segunda-feira, 18, já disse em entrevistas sobre os problemas que sua mão esquerda lhe causava. "Sentia-me frustrado quando chegava na casa de um amigo, em Liverpool, e o violão estava ao contrário para mim. Tinha de inverter as cordas. Dava trabalho. As pessoas achavam estranho", revelou à Rolling Stone. Se isso incomodava a Macca, para o destro Ricardo Junior, da banda cover Beat Beatles, ter aprendido a tocar como canhoto apenas para imitar Paul, o aproximou ainda mais de seu ídolo. "Nunca foi algo forçado, mas queria me destacar. Muita gente já fazia cover e aquilo podia ser meu diferencial. Queria dar mais veracidade à minha personalidade Paul McCartney", brinca o músico, que recebeu a reportagem do Estado em sua casa.

Ricardo Junior, ex-integrante da primeira banda cover dos Beatles do Brasil, a Beatles4ever, nasceu em Goiás e desde muito cedo teve contato com os garotos de Liverpool "Eu conheci os Beatles aos 7 anos. Fui gravar um comercial e interpretei o Paul. A partir daí a coisa não parou mais. Um dos garotos que gravou o vídeo comigo me chamou para montar uma banda. Comecei a ter aula de violão e canto", lembra Junior.

O goiano integrou o Bitkids, conjunto que fez sucesso no início da década de 90. Ele e os amigos Hilton, Wei e Freddy tocavam músicas dos Beatles em português e chegaram a gravar um disco pela extinta gravadora Polygram. Sucessos como Felicidade Existe (From Me To You), Gente Demais (Ticket To Ride) e Vem (Help!) ganharam a simpatia do público.

Ricardo, que desde 2006 também é membro do Ultraje a Rigor, começou a tocar com o Beatles4ever em 2003, mas só no ano de 2006 assumiu de vez o papel de Paul no grupo. "Lembro que fomos ensaiar o disco Help!. Quando cheguei no estúdio não disse que tocaria o baixo do lado contrário. Os outros integrantes perceberam bem depois que eu havia invertido a posição do instrumento", conta.

"Comecei a praticar assim porque queria um baixo Rickenbacker igual ao do Paul, mas só achei para canhoto. Daí pensei: caramba, se eu fosse canhoto. Inverti as cordas de um outro baixo que tinha em casa e comecei a praticar. Com o tempo, vi que não era tão difícil e acabei comprando o Rickenbacker tão desejado", complementa Ricardo.

Dono de um vasto material dos Beatles e de Paul McCartney, isso inclui LPs, compactos e CDs de Macca nos Wings e também na carreira solo, Ricardo consegue executar todas as músicas de Paul - seja na guitarra, baixo, violão e piano - como canhoto. Para ele, a canção mais trabalhosa é Old Brown Shoe, música de George Harrison, do disco The Ballad of John and Yoko (1969). "Essa canção tem uma passagem difícil de fazer com a mão direita. Penei, mas saiu".

Além do baixo Rickenbacker, Ricardo possui outros instrumentos marcantes utilizados por Paul durante toda sua carreira como o baixo Hofner, tão característico do ex-beatle, e o violão Ephipone Texan, o mesmo utilizado por ele na gravação de Yesterday, em 1965. "São peças essenciais na coleção de qualquer McCartneymaníaco", afirma.

Para Ricardo, dois foram os momentos mais marcantes interpretando Paul McCartney. Em 2003, com a banda Beat Soul Ever, tocou no Cavern Club em Liverpool, bar onde os Beatles começaram sua carreira. Segundo ele, o show foi diferente de qualquer outro já realizado. "As pessoas olhavam de maneira estranha para nós. Brasileiros tocando Bealtes? Não pode ser. Mas depois eles curtiram. O show era gratuito, mas o dono do local acabou nos pagando de tanto que gostou. Nós recebemos outra proposta para tocarmos na noite seguinte, mas já tínhamos voo marcado para o Brasil".

Outro momento especial, para Ricardo, aconteceu em 2007. Ao lado da banda Beatles 4ever, apresentou o projeto The Beatles Complete Works. Com mais de 16 horas de show, o grupo tocou todos os álbuns do Beatles em ordem cronológica sem parar. Foram mais de 220 músicas na sequência. O objetivo era entrar para Guinness World Records.

O conjunto repetiu a dose na Virada Cultural no ano passado, fazendo uma apresentação memorável no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo. "Lembro que, mesmo depois de 24 horas tocando todas as músicas dos Beatles, o pessoal pediu bis", brinca Ricardo.

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