Jeremy Deputat/Divulgação
Jeremy Deputat/Divulgação

Mayer Hawthorne lança novo disco em São Paulo

Músico traz à cidade ‘Where Does This Door Go’ com sua big band de Detroit

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2013 | 11h00

O cantor de soul (e também produtor e DJ) norte-americano Mayer Hawthorne esteve pela primeira vez no Brasil numa situação histórica: em 2011, abriu o primeiro e único show de Amy Winehouse no País – ela morreria alguns meses depois, em Londres. “Ela fez alguns shows terríveis, outros fascinantes. Para mim, o que valeu foi a experiência de ter estado ali ao lado dela naquele momento, uma intérprete tão grande e especial”, afirmou o cantor, em entrevista ao Estado por telefone.

Na época, os falsetes de Mayer Hawthorne pareciam pequenos para levá-lo muito além. No show no Brasil, ele estava espremido entre a lenda de Amy e a potência de Janelle Monáe. Mas ele foi construindo uma carreira sólida, embora de espectro alternativo, indie. Influenciado por Curtis Mayfield, Isaac Hayes, Smokey Robinson e outras feras da música black, superou imitações evidentes: uma voz pequena, uma cara de nerd, uma ambição maior do que os recursos.

E construiu um nicho bem específico, de pura diversão retrô. O novo disco, Where Does This Door Go, será a base de seu show de hoje no Cine Joia. O disco foi produzido pelo rapper Pharrell Williams. “Como eu, Pharrell ama o Steely Dan, que influenciou muito esse disco. Mas o Steely Dan não tinha uma abordagem muito sexy da música, e nós demos um tempero mais apimentado”, considerou.

Um dos vídeos do disco, The Walk, mostra um casal em guerra. Batalha armada de rifles, metralhadoras e pistolas, como a da dupla de Sr. e Sra. Smith, com Brad Pitt e Angelina Jolie. “Sim, é claro que o filme foi uma inspiração para o vídeo. Mas é também uma metáfora clássica sobre o conflito entre um casal”, explicou.

Os vídeos todos de Where Does This Door Go são repletos de garotas de biquíni, uma evocação de cenários como os de Girls, Girls, Girls, filme com Elvis Presley. “Minha música visa a dar diversão e possibilitar um meio de escapar das agruras cotidianas. Minha abordagem é simples: quero que a minha música seja ouvida pelo máximo de pessoas possível”, explica Hawthorne, que nasceu Andrew Mayer Cohen em Ann Harbor, Michigan, há 34 anos..

Outros convidados são Kendrick Lamar (na faixa Crime, destaque do disco) e Jessie Ware (na canção Her Favorite Song). Segundo Mayer, Crime não tem conotação política, embora seja um tanto discursiva. “No cais, ao sol, um baseadinho, um vinhozinho/Aí chega a viatura/Fumo é ilegal/Nós só queremos festar/Não queremos machucar/Mas eles tornam tudo tão difícil.”

Hawthorne explicou a letra. “Tento sempre assegurar que a mensagem seja compreendida com clareza, mas não me considero um cara politizado. Minha filosofia é que a música é a arma mais poderosa, é capaz de manter as pessoas unidas, então eu uso a música para esse fim”, diz.

Há outras músicas que parecem influenciadas por Stevie Wonder, como The Stars Are Out, mas nessa Hawthorne não cai. “Eu acho engraçado: há muitos outros caras que eu ouço mais que Stevie Wonder. Mas o fato é que Stevie influenciou todos eles. Ele é tão poderoso que atravessa parte significativa de toda a música moderna. Mas o fato é que eu não ouço Stevie tanto assim”, explica.

Entre os artistas mais modernos que ele cita como influências, ao lado dos lendários, está J. Dilla, um rapper de Detroit (cujo nome real era James Dewitt Yancey) que morreu precocemente em 2006 de uma doença rara. J. Dilla trabalhou com astros como A Tribe Called Quest, De La Soul, Busta Rhymes, Erykah Badu, MF Doom, The Pharcyde e Common. Hawthorne diz que é “carioca” de coração e que o Brasil lhe sugere tremenda familiaridade. Vai apresentar músicas antigas e do novo disco com sua banda de Detroit.

MAYER HAWTHORNE

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, 3101-1305. Quinta, às 23 h (abertura da casa às 21 h). R$ 90/ R$ 180.

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