Max Cavalera descarta abandonar o Soulfly

Fez-se muito estardalhaço em torno de uma declaração recente de Max Cavalera - o ex-vocalista do Sepultura, há cinco anos à frente do grupo Soulfly, e que acaba de lançar o terceiro álbum, 3. Em entrevista para a revista Trip, ele disse que admite voltar a cantar na banda que ele fundou com seu irmão Igor Cavalera - que, atualmente, tem o norte-americano Derrick Green à frente dos vocais. Desde então, comenta-se um possível retorno de Max ao Sepultura, algo que o próprio fez questão de desmentir em entrevista por telefone para o JT."Nunca deixarei o Soulfly, é minha única banda e concentra tudo aquilo que almejo profissionalmente", enfatizou. "Fui mal interpretado com aquilo que disse a respeito do Sepultura. O que quis dizer é que aceitaria matar as saudades da banda em um show, se eles quiserem e se o público quiser. Só isso. O exemplo do Ozzy Osbourne é perfeito: ele tem sua carreira solo como prioridade mas, às vezes, volta a participar de alguns trabalhos com o Black Sabbath."Sobre seu relacionamento com Igor - que ele não vê desde que saiu do Sepultura - Max continua falando pouco. Discretamente, Max lamenta a distância do irmão e culpa a falta de tempo. "Estou muito ocupado e nosso único contato é por intermédio de nossa mãe, com quem converso sempre", disse. "No coração a gente continua junto, mas cada um de nós escolheu um caminho diferente. No futuro eu espero que a gente se encontre com calma, para eu ver os filhos dele e para ele ver os meus."Em português - Encerrando a conversa sobre Sepultura, Max chama a atenção para o novo álbum do Soulfly - que mantém a tradição do grupo em gravar pelo menos uma música cantada em português. Em 3, a banda reverencia Chico Science & Nação Zumbi com uma versão para Sangue de Bairro e aventura-se em versos originais na pancada Brasil."Embora possa não parecer, é natural para mim escrever letras em português. Quando faço uma música, canto em um idioma que não existe - só depois eu encaixo as letras", explicou. "Como o Soulfly, assim como o Sepultura, é uma banda internacional, então eu acabo fazendo mais letras em inglês, para que o nosso público possa entender."Mas o idioma desconhecido não é problema para os fãs estrangeiros do Soulfly. "Algo que sempre me emociona é ouvir o público cantando a introdução de Tribe, que sempre abre os shows do Soulfly", contou."A música começa com uma citação aos versos de Zumbi, do Jorge Ben Jor, e as pessoas cantam. No mês passado, a gente participou de um festival no sul da França e eu fiquei arrepiado em ouvir 40 mil pessoas cantando: ´Zumbi é o senhor das trevas/ Zumbi é o senhor da demanda/ quando Zumbi chega, é Zumba é quem manda.´" Essa imagem abre o DVD que o Soulfly deve lançar até o fim do ano.Além da boa aceitação do próprio público da banda, o Soulfly tem a solidariedade de figurões do heavy metal nas faixas cantadas em português. "O Bruce Dickison, vocalista do Iron Maiden, me disse que o que ele mais gosta do Soulfly são as músicas cantadas em português. Isso me deixou muito feliz", disse Max.A preocupação em realçar elementos da música brasileira em meio à sujeira da sonoridade metal não vem de hoje - e, sim, desde o primeiro disco, Soulfly (1998), em que a banda gravou Umbabaraúma, de Jorge Ben Jor. No novo disco, Max contou com a contribuição do percussionista Meia-noite, que acompanha Sérgio Mendes."Chego a forçar um pouco para enfiar brasilidades mas, no fim, tudo acaba acontecendo muito naturalmente", falou. "Nesse disco, além das duas faixas cantadas em português, tem também Zumbi, faixa instrumental bem brasileira."Distante dos palcos brasileiros desde o ano passado, Max espera fazer shows no País até o fim de 2002. "A turné européia acaba em setembro e espero que apareçam convites para shows no Brasil", disse.Para matar a saudade, ele tem escutado música brasileira em casa. "Ultimamente eu tenho ouvido muito Chico Science e Sheik Tosado, que eu gosto demais", contou. "Mas tenho ouvido também algumas músicas mais antigas, alguns vinis que eu guardo de bandas como Plebe Rude, Legião Urbana, Camisa de Vênus... Me dá uma sensação boa, uma espécie de nostalgia dos tempos que a gente assistia aos shows dessas bandas em Belo Horizonte." Quando Max diz "a gente", leia-se "eu e Igor".

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