Mawaca mostra sua diversidade em show no Sesc

À frente do Mawaca estão sete belas e entrosadas vozes femininas. Além de igual número de instrumentistas que as acompanham, o grupo tem atrativos que o distancia do lugar-comum dos conjuntos vocais - em geral repetitivos e difíceis de acompanhar em mais do que meia dúzia de canções sem aborrecer. Há oito anos, essa trupe vem desenvolvendo suas minuciosas "tramas étnicas", como costumam chamar, cruzando canções e ritmos de toda parte do mundo. Com um show no Sesc Pompéia, hoje, o grupo prossegue a temporada de lançamento do quarto CD, Pra Todo Canto (Azul Music). O disco abre com um tradicional tema português (As Sete Mulheres do Minho), com música de Zeca Afonso; embala num coco do Rio Grande do Norte (Êh Boi!); mistura Dendê com Curry; entoa odes de tradição sefaradita; entra na roda de tribos indígenas, no cordel de Patativa do Assaré, no ritmo de trabalho de pescadores japoneses. Na concepção de Magda Pucci, diretora musical, fundadora e uma das cantoras do grupo, seu trabalho "não tem nada a ver com a globalização de hoje", embora elas cantem "em mil e uma línguas" e tenham na diversidade uma das características principais. É algo "para além das coerências formais", segundo ela. "Não inventamos nada. Cantamos a miscigenação de que somos fruto." O próprio nome Mawaca tem uma série de significados, explicados no cuidadoso encarte do CD, que também traz textos sobre cada tema. Bom de ouvir e de ver, já que sua atuação no palco é de grande impacto visual e sonoro. Mawaca - Teatro do Sesc Pompéia, Rua Clélia, 93, Pompéia, 3871-7700. Hoje, às 21 horas. R$ 12

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