Mateus Sartori lança álbum 'Dois de Fevereiro'

Refinado tributo a Dorival Caymmi tem participação de Guinga, Paulo Bellinati e Chico Saraiva

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

20 de dezembro de 2007 | 18h48

Mateus Sartori tem algo de especial na voz, mas não só nela. Toda a história que envolve a realização de seu segundo álbum, Dois de Fevereiro, um refinado tributo a Dorival Caymmi, tem lances fora do convencional. Mateus bancou a produção toda do próprio bolso e foi até a Bahia, na festa de Iemanjá comemorada na data que dá título ao projeto, registrar as imagens do encarte e do DVD que saiu numa edição especial com o CD. Se economizou nas soluções sonoras (é um disco todo de voz e violão), não o fez no projeto gráfico, um luxo que vai na contracorrente da crise das gravadoras.   Ouça trecho de 'Acaçá'    Mais informações sobre música Sem CD novo, ‘Rei’ faz Natal com caixas Dolores ganha tributo de vozes cansadas   Em Dois de Fevereiro, produzido por Rodolfo Stroeter, ele está muito bem acompanhado de Guinga, Paulo Bellinati, Diego Figueiredo, Webster Santos, Chico Saraiva, Edmilson Capelupi, Mario Gil e Jardel Caetano. A idéia era gravar cada faixa com um violonista, mas, pensando na dificuldade que quem fosse tocar com ele no palco teria de reproduzir os arranjos, deixou-se convencer por menor número. Todos gravaram com ele ao vivo no estúdio, sem truques nem artifícios. "A simplicidade era o fator principal. Tudo ficou muito transparente", sintetiza Sartori.   Em 14 faixas, ele procurou dar uma panorâmica sobre todos os aspectos do cancioneiro de Caymmi: o samba de roda baiano, o samba-canção de sua porção carioca, as canções praieiras e as ligadas ao folclore. O plano inicial era só gravar "lados B", mas Sartori confessa que ainda precisa da projeção que uma Rosa Morena possa dar a seu nome. Pelo menos quatro preciosidades ocultas de Caymmi ganharam vida nova em sua voz: Acaçá, Beijos pela Noite, Valerá a Pena e Sargaço Mar. Entre os clássicos, estão também Doralice, Dora, Só Louco e Você já Foi à Bahia?, O Samba da Minha Terra. "A gravação de Dora foi um grande presente, porque gravei com Bellinati no dia do meu aniversário", festeja Sartori. Apesar da aparência simples, as canções de Caymmi embutem uma certa complexidade, mas apesar de os violonistas surpreenderem com alguns improvisos (como Capelupi em Doralice) evitam cair no ornamental.   Nascido em Franca, interior de São Paulo, o cantor vem de uma família musical. Guinga, que já tocou com ele em seu primeiro álbum - Todos os Cantos, de 2006 -, afirma que "ele tem todos os atributos de um bom cantor, mas o que traz de belo e diferente é a feminilidade de seu canto". Há um estranhamento quando se compara com a voz falada de Sartori, que é um pouco mais grave.   "Estudei canto erudito por seis anos. Tinha um professor que brigava comigo porque dizia que esse timbre agudo não era meu, que eu tinha voz de barítono", conta. "Nas aulas eu tentava trabalhar as regiões mais graves, mas quando ia cantar, os tons mais agudos eram o que ficavam mais suaves e também exigiam menos esforço."   Sartori é formado em Arquitetura, mas não ganha a vida na prancheta, limita-se a exercer a função no design gráfico dos discos. Ainda canta na noite em Mogi das Cruzes (SP), onde mora, mas pretende mudar de rumos no ano que vem e investir fundo na realização de shows. No dia 6 de janeiro ele se apresenta no Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579, tel. 6971-8700).   O próprio Caymmi, como se convencionou a afirmar, é o intérprete definitivo de suas canções. O que não significa que seja imexível. Gal Costa, Nana Caymmi e Jussara Silveira já fizeram excelentes tributos ao mestre. Sartori vem fazer coro a elas com a maior naturalidade.

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