Roberta Pennafort/ Estadão
Roberta Pennafort/ Estadão

Matar aula, perder prova, faltar no emprego: vale tudo para estar no rock in rio?

A maioria deste público que chega cedo é jovem. Muitos vieram de outros estados para realizar o sonho de conhecer o festival

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2017 | 18h21

RIO - Quinta-feira, 14 horas. A Cidade do Rock reabre seus portões, e por eles entram estudantes que deveriam estar fazendo prova, universitários que perderam seminários e profissionais que enrolaram o chefe para aproveitar um dia de folga forçada. Às 17h30, a lotação já é quase a de um fim de semana. A maioria deste público que chega cedo é jovem. Muitos vieram de outros estados para realizar o sonho de conhecer o tal Rock in Rio.

"A vida é curta. A gente se mata de trabalhar, tem que aproveitar também. Se me dedico tanto aos clientes, tem que ter um tempo para fazer o que se quer", contava o redator publicitário Thiago Ormond, de 32 anos, de Cuiabá. Ele avisou ao chefe sucintamente que precisava de uns dias para viajar. O motivo não disse, tampouco o destino. Provavelmente o patrão ficou sabendo de sua aventura carioca apenas pelas fotos postadas no Facebook. 

"Ele é compreensivo e eu me permito fazer essas loucurinhas, parcelar no cartão de crédito o que posso e não posso. Não estamos escondidos, só não dissemos que viríamos ao Rock in Rio", brinca Ormond, que veio acompanhado de uma colega da agência de propaganda em que trabalha e outros  amigos de Cuiabá. 

A "experiência Rock in Rio" lhe está custando R$ 2 mil, incluindo aí o valor do rateio de um apartamento pelo site AirBnb e os gastos com Uber e alimentação, além dos ingressos (R$ 455 por dia). "Quis muito vir para o Aerosmith e vou ver mais shows no sábado. Nasci em 1985, junto com o Rock in Rio, e estou amando estar aqui. A energia é muito boa".

A estada da estudante mineira Bianca Salgado, de 19 anos, no Rio será menos confortável. Ela é de Piumhi, município de 35 mil habitantes a 300 km de Belo Horizonte, e veio num bate-volta de ônibus atraída também pela banda de Steve Tyler. É a primeira oportunidade que tem de ver ao vivo a banda que mais ouve em casa. 

"Saí de casa ontem às 13 horas e vim direto. Foram cinco horas de ônibus até BH e mais sete para o Rio. Dormimos só no ônibus. Ontem eu teria prova e hoje, seminário. Sei que os professores não vão entender", brinca Bianca, ladeada por dois conterrâneos. "Eu acho que vale a pena, sim. Não é sempre que temos essa chance. Quando vi que teria show do Aerosmith, comprei na hora e nem pensei no resto."

A carioca Hannah Farias, de 23 anos, secretária escolar, não é especialmente fã de nenhuma das atrações de hoje. O que ela queria mesmo era pisar a grama do Rock in Rio. "Ganhei ingresso, não podia desperdiçar. Avisei ao meu chefe que tinha um compromisso e pronto. Minha mãe apoiou. Cheguei cedo e estou adorando, só vou embora de madrugada".

 

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