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Matanza faz show em SP com disco mais dark

'Pior Cenário Possível' traz faixas sombrias e marcadas por crítica

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2015 | 19h00

Jimmy London é um cara durão. O carioca chamado de “gigante irlandês”, apelido que ganhou em meados do ano 2000 no programa Rock Gol, da MTV, não muda o estilo imponente de expor as ideias. Habituado a falar sobre álcool, diversão e mulheres em suas letras, o vocalista da banda Matanza, desta vez, resolveu externar o atual cenário do Brasil nas composições de Pior Cenário Possível, novo disco, o oitavo da banda. 

“Criamos o conceito de cada álbum do Matanza antes mesmo de escrever a primeira música. Agora, entretanto, seria necessário viver em Marte para falar sobre bagunça boa, tiro para o alto e diversão. Quem sabe no próximo trabalho vamos estar de melhor humor”, afirma o músico em entrevista ao Estado.

O quinteto, que faz show de lançamento do novo disco neste sábado, dia 9, na capital paulista, gravou todos os instrumentos musicais do CD de maneira simultânea. Além disso, pela primeira vez nos 10 anos de carreira, um álbum da banda foi gravado com duas guitarras, o que deixou a sonoridade mais pesada. “É mais um instrumento, ou seja, mais 20% de capacidade de arranjo, de barulho, de pressão. Tivemos um processo semelhante de gravação ao dos outros discos. Procuramos manter o som orgânico, fazendo a bateria soar como se estivesse ali do seu lado, e assim por diante. Porém, a cada trabalho, vamos aprimorando esse processo. Neste momento, usamos a máquina de fita para esquentar o som, mas sem arquivar o áudio nela. Afinal, que graça teria se fosse sempre tudo igual”, afirma Jimmy. 

 

As letras de Pior Cenário Possível têm altos teores de terror e suspense. Bons exemplos disso são as faixas A Sua Assinatura, Matadouro 18, O Que Está Feito Está Feito, Orgulho e Cinismo e Sob a Mira. “Se tudo estivesse legal, o disco se chamaria O Melhor Cenário Possível, mas não é o caso. O atual trata, infelizmente, de coisas não tão divertidas quanto nossos primeiros álbuns. Não prometemos mais do que o nosso máximo: suar sangue”, garante o líder do Matanza. Esse clima também está evidenciado em músicas como O Pessimista e Chance Pro Azar.

Rock nacional. Há dois anos à frente do Matanza Fest, festival que trouxe a banda Biohazard ao Brasil em dezembro, Jimmy desacredita na tese de que o gênero anda em baixa no mercado. “Cada dia nasce uma banda, cada dia uma pessoa resolve trabalhar mais, cada dia alguém decide abrir um novo bar com um pequeno palco, que pode acabar virando uma grande casa de shows. Ou seja, é um movimento dinâmico, não uma foto. Temos bandas em todos os lugares. A música não morre, muito menos o rock. Não pode faltar trabalho e suor. Como sempre dizia meu velho pai: iniciativa é fácil, complicado é ter ‘acabativa’. As bandas que correm atrás, dia após dia, sempre chegam a algum lugar. Aquelas que esperam o estrelato bater à porta, ficam esperando eternamente”, conclui Jimmy London.

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