Matanza e B Negão abrem 3.°dia do Rock in Rio

Festival contou também com um mosh gigante causado pela banda Korzus

Jotabê Medeiros e Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

25 de setembro de 2011 | 18h15

O primeiro show do dia no Rock in Rio contou com um encontro de peso no palco Sunset, no começo da tarde deste domingo, 25: a banda Matanza e o músico B Negão.”Ele não faz rap ou funk, faz, sim, música boa. Com vocês, meu amigo B Negão!”, gritou Jimmy London, vocalista do grupo. Mais uma vez problemas no som marcaram o começo da apresentação.

No setlist não faltaram os maiores clássicos do Matanza. Ela roubou meu caminhão, Clube dos Canalhas e Estamos todos bêbados foram cantadas em coro. A Verdadeira Dança do Patinho, de B Negão, também agitou o público.

Camisetas pretas dominam a paisagem em Jacarepaguá

Milhares de camisetas pretas invadiram a Cidade do Rock na tarde deste domingo, 25, o uniforme monocromático dos fãs do metal pesado de Metallica, Slipknot, Coheed and Cambria e Motorhëad. Com a repetição das filas e do policiamento ostensivo, a onda preta se estende paciente e pacificamente a mais de 3 km da entrada dos portões, disputando espaço com os evangélicos e suas faixas "Por um Mundo Melhor? Só Jesus". Dentro da cidade do rock, o as vestimentas escuras ostentam uma profusão de frases como "O martelo da justiça vai te esmigalhar", "Perder toda a esperança é a alcançar a verdadeira liberdade", em meio às caveiras e o sangue de nomes de bandas pouco conhecidas como Septic Flesh "Carne séptica" e Killswitch Engage "Ativar o gatilho da morte". Al Qaeda, a seleção da Alemanha, o Cristo Redentor e Seu Madruga também decoram o pano preto do Rock in Rio.

Lá fora, o efetivo policial trai um pouco de preconceito contra os metaleiros, porque tem sido deles alguns dos dias mais pacíficos da história dos festivais de rock, como por exemplo no último Rock in Rio, em 2001.

A organização começa a dar mostras de cansaço no terceiro dia do festival: havia banheiros interditados quando os portões foram abertos, e muito lixo ainda espalhado pelo gramado. O cheiro de urina era muito forte nos banheiros mais próximos do Palco Mundo, e a limpeza ainda estava em progresso enquanto os fãs procuravam aliviar-se, sendo encaminhados a outros lugares.

Korzus e convidados All Stars causam mosh gigante no Rock in Rio

Com o auxílio elegante de alguns convidados muito ilustres, como East Bay Ray, 53 anos, guitarrista da lendária banda punk Dead Kennedys, o grupo brasileiro de metal Korzus fez tremer o chão da Cidade do Rock. Literalmente. Durante sua apresentação, o público ensaiou um mosh gigantesco, com os fãs se jogando uns contra os outros e criando um efeito de dança selvagem no até então pacato festival.

East Bay Ray participou na música California Uber Alles, dos Dead Kennedys, a mitológica banda que foi liderada por Jello Biafra (ativista que chegou a se lançar candidato alternativo à presidência dos Estados Unidos).  Outro que participou do arrastão punk foi B Negão, que se juntou ao Korzus no palco para cantar a música, além de Mike Clark (Suicidal Tendencies) e Chmier (Destruction). Logo depois, os vocais foram ocupados por João Gordo, dos Ratos de Porão.

"Me belisca", disse ao Estado, logo após sair do palco, o baixista do Korzus, Dick Sebert, inebriado pela experiência que acaba de ter. O vocalista do Korzus, Marcelo Pompeu, pediu a primeira manifestação pública e política da noite, bradando contra a corrupção no País e pedindo para os corruptos "o símbolo da intimidação", um dedo médio em riste que toda a plateia imitou.

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