Massive Attack discursa contra guerra em show em SP

O cenário do show 100th Window, do grupo inglês Massive Attack, é dominado por uma tela gigante. Não é um personagem secundário do show, mas um elemento efetivo. Ali, durante o concerto, são mostradas estatísticas da guerra no Iraque (os gastos militares americanos chegarão a US$ 400 bilhões), do total de florestas devastadas no planeta, das vítimas da fome, dos números das bolsas de valores e por aí vai. Parece algo meio fora de sintonia para uma banda que surgiu como um dos expoentes do som viajandão, meio tântrico do trip hop de Bristol (ao lado de Portishead e Tricky), mas o discurso engajado do Massive Attack não é novo. Eles integram um movimento chamado "Músicos Unidos para Ganhar sem Guerra", que tem uma centena de astros do mundo todo.Os músicos, que passaram um tempo hibernando - o cantor Robert "3D" del Naja foi até mesmo preso no ano passado por pornografia infantil na internet, acusação de que foi inocentado -, voltaram à ativa com um disco que faz referências à nova geopolítica mundial e é mais dark e sombrio do que os álbuns imediatamente anteriores, como Mezzanine e Blue Lines. O Massive Attack faz show em São Paulo hoje e amanhã. "Não fazemos música para um público adolescente, para garotinhos entre 13 e 17 anos, como essas bandas da moda. Desde que começamos, fazemos música para um público maduro, inquieto. Nem todos têm o mesmo gosto, nem todo mundo precisa ter o mesmo gosto", disse ao Estado, por telefone, de Londres, Robert "3D" del Naja, uma das metades criativas do Massive Attack.Entre outras coisas, Del Naja disse que acha uma maravilha que esteja agonizante a "bela asneira das raves" e afirmou que torce para que o drum´n´bass ocupe o lugar deixado pelas festas psicodélicas. "É o sucessor natural. Gosto do peso do drum´n´bass, da sua energia. Gosto muito do som do DJ Marky, que vi três vezes em Londres, uma delas ao lado de Roni Size. Gosto também do Sepultura", afirmou. Ele diz que a nova apresentação está baseada num disco com canções fortes, interessantes, e num conceito visual que tende a conquistar o público. São 6 músicos no palco, tentando reproduzir a essência do álbum 100th Window (que tem a cantora irlandesa Sinéad O´Connor em três faixas): uma sonoridade mais dark, menos dub e mais climática, com o rock mais lento.Massive Attack. 14 anos. Via Funchal (6 mil lug.) R. Funchal, 65, V. Olímpia, 2163-2000. Hoje e amanhã, 21h30. R$ 80 a R$ 200. CC.: D, M, V. Estac. c/ manobr.: R$ 12 (antecipado) e R$ 15. Até amanhã.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.