Mart´nália lança seu primeiro álbum ao vivo

Mart´nália lança o seu primeiro disco ao vivo, pouco mais de dois anos depois de lançar Pé do Meu Samba, apadrinhada por Caetano Veloso. Com a participação de amigos/músicos que apostam em seu talento, como Djavan, Moska, Zélia Duncan, além de Caetano, Mart´nália já mostrou que não é apenas a filha de Martinho da Vila. "Quero mostrar a evolução a partir do Pé do Meu Samba. Ali, eu recomeçava uma carreira interrompida alguns anos antes. Agora, mostro aquelas músicas e outras que indicam de onde eu vim. Tem sambas de meu pai, Paulinho da Viola, Candeia, João Nogueira e Dona Ivone Lara", explicou Mart´nália na semana passada, pouco antes de embarcar para a Ilha da Reunião, no Oceano Pacífico, onde participa de um festival de percussão, com Robertinho Silva e Esguleba (da banda de Zeca Pagodinho). "O disco ao vivo foi surgindo aos poucos porque os convidados apareceram na temporada que fiz no Bar do Tom, no Rio." Mart´nália - Ao Vivo é uma festa de amigos da cantora compositora que se reuniram em outubro de 2003. Demorou a sair porque ela mudou de gravadora e se envolveu até à raiz dos cabelos com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, que volta ao Grupo Especial. "E ainda tinha de ir ao samba, namorar, ir à praia, a gente arruma tempo para tudo que é preciso", conta. Ela encontrou tempo até para compor (Beco, com Mombaça, e Benditas, com Zélia Duncan, são novas), mas ninguém espere de Mart´nália o samba tradicional de algumas faixas de seu disco e que músicos de sua idade (39 anos) tocam nas rodas de samba do Rio. "Quem me dera saber fazer esse tipo de samba. Quem sabe um dia eu ainda aprendo?", brincou ela. "Mas tive outro tipo de formação. Os sambistas tradicionais não cresceram ouvindo Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia e outros músicos, como minha geração. Todos eles me influenciaram, assim como meu pai também, pois sempre vivemos no meio do samba." A voz de Mart´nália não é poderosa como a de uma Alcione, mas seu balanço e brejeirice embalam sambas desconhecidos, como Novos tempos (de Cláudio Jorge) ou clássicos como Molambo (de Jayme Florence e Augusto Mesquita) e Sonho Meu (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho).

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