Marta Azevedo
Marta Azevedo

Mart'nália apresenta '+ Misturado' em show em SP

Artista achava que não tinha voz para cantar, mesmo tendo feito backing vocal de Ivan Lins e outros trabalhos

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

11 Março 2017 | 03h00

Quem escuta Mart’nália dizer que nunca se enxergou como uma voz, pode estranhar. Logo ela que escolheu a carreira de cantora, iniciada com seu pai, Martinho da Vila. Depois, foi backing vocal de Ivan Lins e fez vocal para discos de Beth Carvalho e Alcione. “Mesmo fazendo tudo isso, não achei que minha voz servisse para alguma coisa”, confessa rindo nesta entrevista por telefone para o Estado.

Diferente de seu pai, que usa o palco “devagar, devagarinho”, Mart’nália vira uma criança em cima dele, como tivesse acabado de encontrar seus brinquedos preferidos. Ela não para um só minuto, gesticula, conversa com o público, com os músicos, anda de um lado para o outro, bebe uma cervejinha, samba e toca alguns instrumentos, como o seu pandeiro inseparável.

“Se fosse para ficar só cantando, com respeito a todos os cantores e cantoras, eu não continuaria exercendo esta profissão. Acho meio chato ficar só cantando, até porque, não sou burra, tem gente que faz bem melhor do que eu”, diz para novamente cair na risada, e completa: “Não sei ficar parada, o palco é lugar para se divertir, para se misturar”.

Mas, se Mart’nália não se considera uma intérprete, como Maria Bethânia, Gal Costa e Nana Caymmi, “a grande intérprete”, a mesma se diz uma artista que usa a voz para dar seu recado. “Eu nunca me enxerguei com voz e, sim, uma artista que canta”.

E foi nesta toada de artista que canta, que Mart’nália se forjou profissionalmente, lançando dez álbuns, quatro DVDs e trabalhando com nomes da música como Zélia Duncan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Celso Fonseca, Djavan (que produziu um dos seus melhores discos, Não Tente Entender, de 2012), entre outros, inclusive uma discreta carreira internacional – gravou dois shows no exterior, gravados em DVD, em Berlim e na África.

Ela detesta rótulos e o tal do politicamente correto “é cansativo, castrador e dá preguiça”. Fala sobre qualquer assunto que pergunte. Religião? “Sou católica-macumbeira, que é a religião brasileira”. O que acha da música de massa de hoje? “Falta liberdade para você falar determinados temas nestas músicas. Ás vezes, fica se falando a mesma coisa, o mesmo assunto, o mesmo tema, como fórmula de sucesso. Tou fora”.

Mart’nália quer mesmo é continuar brincando de cantar, como no show que faz sábado, 11, no Sesc Pompeia (ingressos esgotados) para marcar o lançamento do seu disco + Misturado.

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