DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Martinho da Vila, uma história de amor entre uruguaios e o samba carioca

Cantor e compositor se apresenta no Auditório Nacional do Uruguai

EFE, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2017 | 13h39

Como a batida dos tambores e no compasso do candomblé do carnaval uruguaio, Martinho da Vila, um ícone da música brasileira, vai levar ao público o sabor da grande festa latino-americana e todo o ritmo carioca para fortalecer um caso de amor "inexplicável" com o Uruguai. 

"Para mim, o Uruguai é um dos melhores países da América do Sul. Além disso, eu não sei a razão, eu gosto dos uruguaios e eles também gostam de mim. Que o gostar e o amar você não pode explicar, você sente e ponto. Então nós gostamos um do outro", explicou o cantor de 78 anos em uma entrevista à Efe em Montevideo.

Depois de dois anos desde a sua última visita, Martinho vai se cantar no Auditório Nacional do Uruguai para apresentar seu mais recente álbum, "De bem com a vida", que qualifica como feito para "Escutar, divertir-se e mover um pouco o corpo, mas sem muito ruído, já que a música está em primeiro plano. "

E, embora sua intenção em concertos não é para divulgar o carnaval carioca, sempre acaba dando apenas um toque da grande festa. "Meus shows sempre têm um pouco de carnaval porque eu estou sempre cantando algumas músicas de Vila Isabel Unidos e de outras escolas samba. Isso é algo que nunca falha em minhas apresentações ", disse ele.

Nesse sentido, Martinho salientou que o público é quem faz o artista, independentemente da nacionalidade ou da língua, porque o que realmente importa são as emoções que são transmitidas através das canções. "Se eu for a um concerto de um coreano e ele cantar bem, o que comunica é verdade, é acompanhada por bons músicos e concerto é bem produzido, vou gostar e me sentirei igual. Quando eu percorro o mundo canto em português e às vezes eu falo com o público. Sei que a maioria não entende nada, mas o que importa é a emoção ", disse ele.

Depois de 50 anos de carreira, mais de 40 álbuns e incontáveis concertos, o artista revelou que se sente satisfeito quando se dá conta  que tenha conseguido emocionar o público. "Quando vejo que algumas pessoas estão chorando e outros cantando ou vibrando de felicidade, com a mesma música, é incrível " disse ele.

Entre as músicas do novo álbum, Martinho disse não saber escolher uma preferida, mas acredita que "Amanha é sábado" é uma dos candidatas fortes para arrancar o coração do público uruguaio por ser uma mistura "de sofrimento e ritmo".

Além de emocionar e conquistar, Martinho também acredita que a música tem o poder de abrir novos caminhos e fazer-nos esquecer a problemas, especialmente neste "tempo de transição ideológica" quando o mundo está em curso, incluindo a crise política complexa que atravessa o país de impeachment Dilma Rousseff em De 2016.

"Os três poderes (legislativo, executivo e judicial) não se entendem e combatem, há grande confusão e uma incrível falta de credibilidade. A crise política é global e pode ser sanada através de uma boa gestão, e há bons administradores. Há uma crise de políticos pior que uma crise política. Temos candidatos confiança ", disse ele.

Apesar de ser considerado um otimista e acreditar que os problemas sempre trazem um aprendizado positivo, Martinho disse que, no momento "é melhor esquecer o Brasil" até que tudo esteja resolvido.

Assim, como uma de suas canções mais famosas diz, há que não deixar de lado a tristeza e cantar alto e forte que é o que faz a vida melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.