PIERRE VICARINI
PIERRE VICARINI

Martinho da Vila fecha o ciclo de 'Bandeira da Fé'

Prestes a fazer show único nesta sexta (17), no Tom Brasil, sambista fala ao 'Estado' sobre as influências que sua música recebe das religiões de matrizes africanas

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2020 | 07h00

Martinho da Vila vai encerrar hoje, 16, o giro que faz desde o começo de 2019 com o disco Bandeira da Fé. Esse é o nome da música que ele fez com Zé Catimba, mas que jamais quis gravar. Algo parecia faltar, Martinho pegou birra do samba. Até que, em 1984, Agepê a gravou, e, muito graças a ela, vendeu mais de 1 milhão de discos do LP Mistura Brasileira.

“Agora, fiz as pazes com esse samba”, diz Martinho, 81 anos, 61 de carreira. Ele faz então um único show, a partir das 22h, no Tom Brasil. Vai privilegiar o repertório de Bandeira da Fé, o disco, mas também colocar os sambas que o fizeram atingir os topos de sua carreira, como Canta Canta Minha Gente, Mulheres e Devagar Devagarinho.

Martinho fala ao Estado por telefone, de sua casa, no Rio. Católico de criação, vai à umbanda e ao candomblé por alimento e inspiração. Sua obra passa pelos terreiros muitas vezes, como nos sambas Festa de Umbanda e Festa de Candomblé. E aqui tem história. Algumas ele só conta agora, confirmando a informação de fontes que vivem nas giras, os rituais feitos com a presença das entidades, cheios de significado e força para os seguidores das matrizes africanas.

Martinho é ogã, como se chamam os homens autorizados pelos orixás a tocar os tambores nas celebrações, conforme a crença dos terreiros. “Quando cheguei, fui autorizado a isso e toquei. Eles gostaram e acabo tocando sempre que vou.” São os tambores que abrem as portas entre os mundos nas evocações e por isso, para tocá-los, é preciso mais do que talento artístico. 

O samba Festa de Umbanda, que fala que o “sino da igrejinha faz Belém Blem Blam”, chegou a Martinho em uma gira. Não por meio de mensagens de exus ou pretos velhos, mas por inspiração, como diz. “Eu estava lá e senti, a melodia chegou e acabei fazendo a música.”

Saber dos orixás e das nomenclaturas dessas culturas, independentemente de se acreditar ou não, é, para Martinho, algo fundamental para se entender a própria música brasileira. Ou muitas pessoas seguirão se perguntando, afinal, que é Ossanha da música de Baden e Vinícius.

MARTINHO DA VILA. 

HOJE (17), ÀS 22H, NO TOM BRASIL

R. BRAGANÇA PAULISTA, 1281 – VILA CRUZEIRO TEL. 2548-2541. ENTRE R$ 50 e R$ 220

Tudo o que sabemos sobre:
Martinho da Vila

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.