Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Marisa Monte e Arnaldo Antunes acusam Doria de uso ilegal de música

Músicos contestam uso de canção pelo prefeito de São Paulo, que cita 'absoluta coincidência'

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2017 | 22h59

RIO - Os compositores Marisa Monte e Arnaldo Antunes repudiaram, em texto compartilhado em redes sociais nesta quarta-feira, 29, o uso não autorizado de sua música Ainda Bem, na voz de Marisa, pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Ainda Bem é ouvida num vídeo promocional compartilhado pelo prefeito em agosto para apresentar o resultado de obras da prefeitura no Parque do Ibirapuera. Os autores disseram que Doria desde então se recusa a deletá-lo de suas contas no Twitter e no Youtube.

+++ Tribalistas anunciam retorno e novo disco

A música serve de ambientação para o vídeo, que, lembram Marisa e Arnaldo, foi feito para "promover as atividades do prefeito, suas parcerias institucionais e comerciais, inclusive citando nominalmente uma marca de artigos esportivos". Eles contaram que notificaram Doria quando assistiram, e que receberam uma resposta - negativa - só dois meses depois. 

+++ Crítica: Tribalistas voltam previsíveis e formatados

"Nós nos sentimos ultrajados e lesados em nosso direito patrimonial e moral, uma vez que, além de não termos sido sequer consultados, nunca permitimos o uso de nenhuma de nossas canções para fins políticos. Queremos deixar claro que a nossa motivação jamais foi financeira, e sim educativa. Enquanto autores e artistas, esperamos respeito à Lei de Direitos Autorais", afirmam em seu texto. 

+++ Tribalistas: ouça as quatro novas músicas

"Redigimos este comunicado para esclarecer ao nosso público que não concordamos com essa postura desrespeitosa e também para reafirmar a importância do cumprimento da legislação de direito autoral, principalmente por aqueles que, como autoridades e gestores públicos, independentemente do seu viés político, deveriam ser os primeiros a dar exemplo na sua aplicação".

+++ Crítica: No novo disco, Tribalistas flutuam entre a aura naïf e a politização

Marisa e Arnaldo contam que Doria argumenta que a música foi capturada de "forma espontânea" no ambiente das gravações. Eles sugeriram que os direitos autorais fossem pagos em favor da Sociedade Viva Cazuza, que atende crianças com Aids no Rio, mas não foram atendidos. O Facebook e o Instagram atenderam à solicitação da dupla de remover o conteúdo, mas o vídeo ainda pode ser assistido no Twitter e no Youtube. 

O prefeito João Doria alega que o vídeo foi feito e compartilhado "espontaneamente, durante uma vistoria no novo campo de futebol" do Ibirapuera, e que a música é ouvida ao fundo por "circunstâncias meramente ambientais", uma vez que estava sendo executada "por absoluta coincidência" no momento da gravação. 

Doria declarou em entrevista nesta quarta-feira: "Sou fã da Marisa Monte, não apenas de suas músicas, mas sua carreira. Não imaginei que a utilização, através da Nike (patrocinadora), num evento esportivo no Ibirapuera, pudesse criar qualquer tipo de constrangimento. Tenho certeza que a própria Nike não pensou que isso pudesse limitar o respeito à obra e à arte da Marisa Monte".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.