Mário Gomes vai contar mentiras no teatro

Na década de 1980, o ator Mário Gomes sofreu com boatos sobre sua sexualidade. Vinte anos depois, ele volta a lidar com as mentiras, mas no campo profissional. Ele é o protagonista de As Mentiras que os Homens Contam, que estréia hoje no Teatro Aliança Francesa com direção de Darson Ribeiro. A peça, adaptada do best-seller de Luís Fernando Veríssimo pelo também escritor Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho), ficou em cartaz no Rio por três meses. Foi uma das melhores bilheterias da capital. Aqui, a produção espera repetir o êxito que teve no Rio, onde a montagem foi vista por mais de 15 mil pessoas. O assunto é arrebatador: as situações engraçadas geradas pelas relações entre homens e as mulheres da sua vida, sejam elas mães, namoradas ou sogras. Mário interpreta Jorge, um homem feliz no casamento com Carla (Gabriela Alves) que, de uma hora para outra, encontra (e estranha) situações comuns a qualquer homem envolvendo futebol, mulheres, amigos e vaidade. A vida do ator, que completa 35 anos de carreira neste ano, é cheia de histórias envolvendo exatamente esses elementos. Ele foi descoberto por um olheiro quando era adolescente. Não demorou muito para os olhos azuis começarem a chamar a atenção dos produtores de TV. Mário tinha também alguma bagagem artística. Com apenas nove anos, fez uma ponta num dos filmes produzidos pelo pai, Mário do Nascimento Gomes. Antes, havia feito várias oficinas e cursos de teatro. "Passava uns quatro dias, depois me tocava de que eles não serviam para nada e largava", brinca o ator. A verve cômica do ator foi descoberta no teatro. Na peça O Peru, seu personagem tinha apenas uma fala. Mário percebeu que, mesmo assim, podia arrancar umas gargalhadas da platéia. "Aquilo me encantou", recorda. Em Gabriela (75), fez o playboyzinho Berto Leal, filho do coronel Amâncio. Não foi difícil para Mário interpretá-lo. "Eu fazia um tipo parecido na vida real." O momento crítico da carreira do ator, segundo ele mesmo, foi em 1976. Durante as gravações de Duas Vidas, se envolveu com Betty Faria - 11 anos mais velha que Mário - na época, mulher do diretor Daniel Filho. "Me colocaram no frigorífico, nem na geladeira foi." Mesmo assim, conseguiu emplacar dois sucessos após o episódio. "Roubava a cena em Guerra dos Sexos e Vereda Tropical", conta o ator. "Depois disso, só me chamavam para papéis pequenos ou de vilões caricatos, que só servem para chutar a canela do galã." Mário garante estar muito feliz no teatro, mas não descarta participações na TV. "O teatro é bom para dar segurança e experiência ao ator", explica. "Na TV, o povo decide se o ator morreu ou não." As Mentiras que os Homens Contam- De 5ª a dom. no Teatro Aliança Francesa. R. General Jardim, 182. R$ 30, 5ª, 6ª e dom., e R$ 40, sáb. Vendas pelo tel. 3188-4147

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