Marina Lima dá show nos cinemas

As luzes se apagam, um trailer é exibido e o show de Marina Lima está para começar: "Gostaríamos de avisar que os celulares e pagers devem ser desligados. As portas de emergência do cinema se encontram nas laterais e, em caso de incêndio, não se apavore. Os extintores ficam ao lado da entrada principal." O rosto de Marina toma toda a tela e os aplausos que vêm das caixas de som se misturam com as palmas de quem está na sala.A situação é inusitada. Quem compra entradas, passa pela catraca e se ajeita na poltrona não vai assistir a Matrix Reloaded ou Todo Poderoso. O que estará nas telas dias 23, 24 e 25 será o show que Marina gravou para virar um especial para a MTV, um DVD e um CD que chegou esta semana às lojas. A rede de cinemas UCI irá exibir em algumas de suas salas, com horários a definir, o mesmo especial que a MTV gravou para pôr no ar na próxima sexta-feira. O DVD sai dia 16.Show exibido em cinema é uma experiência que a gravadora EMI quer que se torne hábito. "Estamos apostando no que será o futuro do nosso mercado. Logo vamos todos parar aqui", diz e aponta para a tela André Matalon, vice-presidente da empresa. A primeira tentativa de sessão "música-pipoca" se deu quando Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes tiveram duas exibições de seu álbum Tribalistas em São Paulo. As salas ficaram lotadas e, ao final de cada especial, as pessoas respondiam a uma pesquisa.Questionadas se voltariam para assistir ao show, 98% responderam que sim. Os jornalistas foram convidados para uma exibição do especial de Marina Lima, na semana passada, que depois falou sobre seu disco em uma entrevista coletiva. A sensação de estar em uma sala de cinema para assistir a uma apresentação gravada ao vivo e com platéia, como são os Acústicos MTV, é curiosa. De repente, quando são mostradas cenas do público, você se sente na embaraçosa condição de platéia da platéia. Quando uma boa música acaba, quem está no cinema é levado instintivamente a aplaudir porque os aplausos que vêm das caixas acústicas em alto volume parecem estar saindo da poltrona ao lado. Mas, na terceira ou quarta palma, o distraído cai em si e vê o quanto parece idiota aplaudindo empolgado um especial de cinema como se respondesse ao "boa noite" de William Bonner no fim do Jornal Nacional.Criar o costume de levar gente para curtir shows entre quatro paredes acarpetadas é complicado. Os produtores dizem que a experiência com os Tribalistas funcionou e que os casais levantavam para dançar e bater palmas como se estivessem em um estádio. Ainda que haja exagero, o resultado pode ter sido positivo até mesmo porque o formato dos Tribalistas era de documentário. Com Marina Lima será show mesmo, do início ao fim. E aí cabe ao bom senso de cada telespectador que atitude tomar quando der aquela vontade de pular e soltar um assobio. Se pegar no tímpano do cara da frente, é recomendável que se saiba mesmo onde ficam as saídas de emergência.

Agencia Estado,

10 de junho de 2003 | 11h08

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