Marido da pianista Joyce Hatto confessa fraude em CDS

O produtor inglês William Barrington-Coupe confessou em uma carta à revista Grammophone que adulterou as gravações da pianista Joyce Hatto, sua mulher, antes de editá-las em CDs e colocá-las à venda. Joyce começou a carreira nos anos 70 mas, por conta de um câncer, abandonou os palcos e passou a se dedicar a gravações em estúdio. Morta em junho do ano passado, deixou uma legião de fãs, encantados com suas gravações, lançadas um ano antes e elogiadas pela crítica internacional. Mas, no início do mês, a Grammophone descobriu que a maior parte de seus registros era, na verdade, cópia do trabalho de outros pianistas.Em um primeiro momento, Barrington-Coupe havia negado o plágio. Na carta endereçada à revista, no entanto, voltou atrás. ?Joyce começou a sentir muita dor ao tocar, o que a levava a muitos erros involuntários. Eu quis que sua vida, decepcionante em muitos aspectos, tivesse um final brilhante. Por isso procurei gravações de intérpretes de estilo parecido ao seu para utilizar as passagens que ela já não conseguia tocar.? A idéia surgiu no final dos anos 80, com a troca das fitas cassetes pela nova tecnologia do CD. ?Com o tempo, fui ganhando confiança e passei a utilizar trechos cada vez maiores?, diz Barrington-Coupe.?Para mim é muito triste perceber que as decisões insensatas que tomei para tornar seus últimos meses mais felizes acabaram prejudicando seu nome?, escreve. ?Nunca mais pretendo mexer com isso e já destruí todos os restos de gravações que tinha dela. Nunca mais produzirei um disco. Agora, só quero um pouco de paz.? Indagado se poderia oferecer uma lista precisa de quais gravações foram adulteradas, Barrington-Coupe disse apenas que estava cansado e que não queria mais tratar do assunto. Fez questão de ressaltar, no entanto, que sua mulher morreu sem saber o que havia acontecido. A polêmica em torno dos discos de Joyce Hatto tem dominado no último mês as discussões no mundo da música clássica. Entre as questões levantadas, estava a atitude dos críticos perante novas gravações e o modo como a mitologia em torno de um intérprete interfere na percepção que temos de sua música.

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