Mariana Aydar se apresenta em Paris e faz balanço da carreira

Cantora mostra aos franceses canções como 'Zé do Caroço', 'Minha Missão', 'Deixa o Verão' e 'Maior é Deus'

Pedro Henrique França, da Agência Estado,

19 de novembro de 2007 | 13h25

Mariana Aydar tem 27 anos, é taurina (mas não liga para essas coisas!), e nunca alçou a fama. De um ano pra cá, na contramão da privacidade que sempre idealizou, passou a estampar páginas e páginas dos mais diversos veículos da mídia. Ela desdenha o culto às celebridades e diz estar sofrendo com isso, agora que também é alvo dos fotógrafos de plantão. Mariana nunca foi a menina popular da turma. Ela não gosta de festas, ainda mais agora com a exposição que os eventos propiciam. Para tentar driblar o problema dos flashes, conta com uma pitada de humor: "Decidi que vou começar a fazer careta".   Namorada do músico e produtor Duani, que ela conheceu durante a produção de seu disco de estréia Kavita 1, Mariana está com passaporte malas prontas para ir a Paris apresentar seu repertório nos próximos dias 27 e 28, no Satellite Café. Imersa no samba, ela sobe ao palco para mostrar aos franceses canções como Zé do Caroço, Minha Missão, Deixa o Verão e Maior é Deus. O CD está sendo lançado em território francês pela Universal France. E Mariana está contente, claro, com isso e também por se apresentar num local que já foi vitrine para outras revelações, como a cabo-verdiana Mayra Andrade, a quem dedica rasgados elogios: "Para mim, ela é uma das melhores cantoras do mundo".   Revelação da música brasileira, Mariana andava "escutando muito" o som de Mayra em seu Ipod, até roubarem seu aparelho. À reportagem, ela faz uma avaliação do trabalho da cabo-verdiana que acaba revelando uma similaridade entre as duas cantoras: a verdade integral na relação com a música. "A Mayra faz música como eu acredito que tem que ser feita, sem cabeça, é totalmente coração".   Assim é também Mariana. Sensitiva ao máximo, ela deixa se levar pela intuição, principalmente quando o assunto é música. Na verdade, quando foi escolher o que faria após o colégio pensou muito - ficou dividida entre jornalismo e psicologia, mas acabou optando por fazer curso de música. Não gostou. "Acho que não é fazendo faculdade de música, que se aprende. Música para mim é muito de coração", avalia.   Sempre conectada à música brasileira, ela também tem influências de canções produzidas pelo mundo. Não tolera preconceitos na arte, sobretudo por gênero. Diz que pode se encantar por um "forró brega" e achar um "reggae chato". E conta ter esse lado eclético em razão da convivência com o pai. "Ele sempre foi muito amplo musicalmente".   Retomando o papo sobre sua ida a Paris, esta "paulistana da gema", como ela se define, se mostrou ainda muito feliz por estar de volta à Cidade Luz. "Paris tem uma cultura muito efervescente", diz. Sobre o "retorno", explica-se: Mariana Aydar estava introspectiva em 2004, queria ficar sozinha e se descobrir mais. Foi Paris a cidade escolhida para seus nove meses de, pode-se dizer, reclusão. "Precisava ficar sozinha um tempo", confidencia.   Na descontraída entrevista, aproveitamos para falar desse pouco mais de um ano de carreira e também para desvendar as características que formam a personalidade dessa simpática menina. Cantora de forró da banda Caruá, no período de 2000 a 2003, foi assim que ela deu seus primeiros passos na música. Na verdade, já experimentara com o pai, Mário Manga, na época do Premeditando o Breque (ou Premê), quando ainda era criança e também nos tempos de festival de escolas. Lembra, inclusive, com carinho de seus tempos estudantis no Waldoff, onde pôde exercitar a arte. Do colégio anterior, o tradicional Pueri Domus, não guarda boas recordações. "Lá eu era um peixe totalmente fora d'água". Mas o destino reservou seu caminho, e a música e o palco acabaram por servir como válvula de escape para aquela menina que gostava tanto de ficar sozinha.   Em 2004, Mariana entrou num conflito. Já não sentia mais vontade de continuar no forró, até mesmo para fugir de rótulos, e resolveu passar uns tempos em Paris. Antes de partir, gravou com a Caruá "um disquinho" independente com oito músicas. E foi com ele, aliás, que ela chegou ao conhecimento de Seu Jorge. Ainda em Paris, estava trabalhando em um projeto de música brasileira e sabia que o carioca estava por lá. Ela o encontrou, entregou o tal disquinho em suas mãos e disse que era cantora. Não demorou muito e acabou sendo convidada a abrir os shows de Seu Jorge.   Quando voltou, a vontade de mergulhar na música já era muito mais latente. No ano passado, o sonho se concretizou e Mariana Aydar estreou no mercado com Kavita 1, em um repertório praticamente de sambas. Filha de músico e da publicitária Bia Aydar, houve quem fizesse comentários do tipo "só está aí porque é filha de quem é". Mas Mariana deu de ombros para os julgadores de plantão. "É um preconceito triste, mas não tenho dor de cabeça com isso". Colegas de profissão, como Caetano Veloso, receberam bem o seu trabalho, chegando a elogiá-la em público. O que não quer dizer que Mariana esteja no grau máximo de sua carreira. Como todo começo, ela ainda está num processo de evolução.   Reforçando a tese do "deixo a vida me levar", Mariana conta não idealizar muitas coisas para o futuro. "Aceito o que a vida me dá, e ela já me deu coisas tão lindas que o que vier a mais é lucro". Com Duani, esta jovem cantora vem experimentando ainda sua faceta compositora. Mergulhada em música e na constante companhia do namorado, Mariana se permite experimentar outras coisas. Recentemente, ela fez um projeto com Duani resgatando os tempos de forró, o qual seu namorado também viveu (foi durante anos da banda Forróçacana).   Agora, três anos depois de sua estadia na França, ela volta a Paris. Mariana Aydar é uma pessoa serena, bonita e vem mostrando que veio para ficar. Chegou a hora dos franceses também saberem melhor disso.

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