Mariah Carey detona crise da EMI

Os efeitos do prejuízo que Mariah Carey causou à EMI ficam cada vez maiores. A gravadora passa por uma profunda reestruturação, que inclui demissões de funcionários e artistas, reagrupamento de selos fonográficos e cortes nos custos promocionais. Estão correndo o risco de levar o bilhete azul Iggy Pop, Ben Harper e Perry Farrell e há rumores de que até Mick Jagger e Paul McCartney estão sendo considerados "peso morto" para a empresa inglesa, que é também dona da Capitol e da Virgin.A crise na EMI deve dar uma chacoalhada no mercado internacional de música. Na semana passada, a gravadora anunciou que vai demitir em todo o mundo 400 artistas, quase um quarto de seu catálogo. Enquanto na Inglaterra os principais selos da empresa têm boas performances, nos Estados Unidos, os prejuízos são grandes.O maior deles, claro, foi Carey. A cantora, que assinou um dos maiores contratos da história no ano passado, entrou em um acordo para receber quase US$ 30 milhões depois do fracasso do primeiro disco, a trilha sonora do filme Glitter. Para piorar, os advogados dela estão ameaçando entrar com um outro processo porque a EMI não cumpriu um acordo entre as partes e revelou que "encerrou" o contrato com a estrela. O termo que deveria ser usado era "cancelou".O tamanho exato dos prejuízos mais recentes da EMI só vai ser revelado em 21 de maio, quando eles divulgarem os números do ano fiscal de 2001, mas, ao que tudo indica, a coisa vai bem mal. A empresa, que vai passar a lançar discos apenas sob os nomes da Capitol e da Virgin, está considerando vender a rede de lojas de discos HMV e o lendário estúdio Abbey Road, em Londres. A gravadora sofre, principalmente, por ter vários artistas "de nome", mas que não vendem muitos discos. Os principais casos, claro, são McCartney e Jagger, que só dão lucro quando reunidos com suas respectivas bandas. O ex-Beatle teve dois fracassos no ano passado, a coletânea de hits do Wings Wingspan: A History e o álbum-solo Driving Rain, enquanto o líder do Rolling Stones virou motivo de piada na Inglaterra com seu Goddess on the Doorway, que teve números de venda insignificantes em todo o mundo apenas 5 mil cópias vendidas na Grã-Bretanha.Outro problema grave é que os artistas que têm feito sucesso na Inglaterra não conseguem repetir a dose nos Estados Unidos (Kylie Minogue, artista da EMI, é uma das recentes exceções). Foi por isso que causou espanto o anúncio, há poucos dias, de que a gravadora está oferecendo um contrato de cerca de US$ 60 milhões a Robbie Williams, um dos mais bem-sucedidos nomes da música inglesa (15 sucessos no top ten do país e 4 álbuns no topo da parada), que continua praticamente desconhecido fora da Europa.De acordo com analistas, os problemas da terceira maior gravadora do mundo podem ter vários efeitos na indústria fonográfica mundial. Outros grandes grupos podem começar a seguir as estratégias de cortes de custos e diminuição de riscos com artistas novos o que seria um baque em uma indústria que já passa pela maior crise de sua história, impulsionada pela recessão global e pelo crescimento da pirataria na Internet.Por outro lado, os selos menores passam a ter um papel mais importante no lançamento de novos talentos. As gravadoras independentes, com custos menores e maior agilidade, devem se aproveitar do momento para entrar em fatias do mercado que anteriormente estavam dominadas pelas majors. Os próprios artistas que estão perto de ficar conhecidos podem começar a evitar as grandes gravadoras em especial a EMI com medo de ir parar na geladeira.

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