Maria Rita lança "Segundo", em CD e DVD

O título do novo álbum é direto e objetivo: Segundo. "Tinha me inspirado no título O Silêncio Que Precede o Esporro, do CD do Rappa, que é uma frase tirada de uma música. Mas não encontrei uma frase que representasse bem meu disco. Virou Segundo", justifica. O novo CD desembarca nas lojas nesta sexta-feira, mas as ações de marketing já andam a pleno vapor desde 29 de agosto. Desde tal data, a música de trabalho Caminho das Águas começou a ser executada nas rádios, deu-se também a largada para as pré-vendas do CD e da versão CD e DVD em sites e em lojas, além de os internautas poderem comprar no site do Imusica o single digital, que liderou o raking de downloads durante a primeira semana. O frisson em torno de Segundo é tanto que, de acordo com o marketing da gravadora, algumas filiais da rede Saraiva e da Fnac Brasil vão abrir suas portas à meia-noite de hoje, para aqueles que já haviam reservado o CD. O diretor do departamento, Marcelo Maia, conta que a procura nas pré-vendas surpreendeu: dos 250 mil CDs que vão ser colocados na praça, 180 mil já têm dono e as 52 mil versões com CD e DVD já estão esgotadas. Em dois anos, mais de 700 mil exemplares do primeiro CD, Maria Rita, foram vendidos. Para o novo álbum, a meta é mais otimista: 700 mil em um ano, com distribuição no Brasil e também em outros cantos do mundo até o começo do ano que vem. Potencial e qualidade, o disco tem. É um trabalho que reúne mais inéditas e algumas regravações, que podem soar como inéditas, para o grande público, como é o caso de Ciranda do Mundo, de Eduardo Krieger. A cantora exigente confessa que assumiu de vez a função de produtora, ao lado de Lenine, quem ela considera "um ídolo". "Ele me deu espaço para aflorar minha alma de artista", derrete-se. Foi ele também quem lhe apresentou Moska e Dudu Falcão. Com Moska, ela tinha pouca familiaridade. Ouvia uma coisa ou outra dele no rádio. Mas quando escutou Muito Pouco, foi atrás de seus discos. "Foi uma surpresa agradabilíssima." E se no CD de estréia, Maria Rita revelou a vocação de Marcelo Camelo para a MPB, em Segundo, ela eleva as composições de Rodrigo Maranhão, em Caminho das Águas e Recado. Para ela, pelo fato de ter sido gravado com voz e músicos ao mesmo tempo, Segundo ganhou sonoridade diferenciada e emoção. "Falam em maturidade, serenidade, mas isso não está tão enraizado na parte musical, mas em mim, nas minhas experiências, no ser humano que, depois de dois anos, você espera que cresça e amadureça um pouco." Adriana Del RéOpinião críticaMenos estridente, mais comedido,menos afetado. No novo disco de Maria Rita, Segundo (Warner),tudo é muito piano, piano, piano. Ela se faz acompanhar em todasas faixas pelo pianista Tiago Costa, co-arranjador em tudo.Tiago, dessa forma, torna-se uma espécie de cover de CesarCamargo Mariano, desempenhando o mesmo papel que estedesempenhou por sua mãe Elis nos anos 70. Essa sobreposição histórica de papéis e de funções podecontribuir para reafirmar a desconfiança em Maria Rita. Segundo,permeado por voz e piano, seria uma espécie de Elis & Tomtransgênico, um novo clone estéril como a ovelha Dolly? Ofantasma de Jobim está por toda parte. A diferença básica é queMaria Rita prescinde das cordas - Elis & Tom tinha os violões deOscar Castro Neves. Por que algo tão novo, feito por quem beiraali os 30 anos, pode soar tão retrô, tão pertencente a outromundo?

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