Maria Rita ganha as páginas do "New York Times"

Com 750 mil cópias vendidas de seu disco de estréia, a cantora Maria Rita concorre em quatro categorias ao Grammy latino, cujos vencedores vão ser anunciados na quarta-feira. Foi o gancho para ganhar um perfil no jornal The New York Times esta semana. Filha de Elis Regina - "a quem muitos brasileiros consideram a maior cantora dos últimos 50 anos no país", segundo a reportagem - e de César Camargo Mariano - "um destacado pianista, arranjador e compositor de jazz e pop" - ela é apontada como "o maior fenômeno da música popular brasileira em anos". Entre outras evidências, o jornal constata que em certos timbres, "a voz de Maria Rita realmente é parecida com a da mãe", assim como sua expressão corporal no palco. "Mas onde a mãe era uma diva clássica, tão combativa e temperamental que ganhou o apelido de Pimentinha, a filha parece ser mais maleável e cabeça fresca, com a maturidade, tanto como pessoa quanto como cantora", aponta o texto. Maria Rita lembra que sempre sofreu pressão para ser cantora como a mãe desde pequena, sem entender por que teria essa obrigação. "Eu era muito jovem, sem compreender direito o papel dela e onde eu me encaixava em relação a sua figura mítica. Cada vez que diziam que eu tinha de cantar, dava um passo atrás, fugindo daquilo." O jornal ressalta a ironia de a cantora não ter realmente conhecido sua mãe, já que Elis morreu "de overdose de droga em 1981" (o correto é 1982), quando a filha tinha apenas 4 anos de idade. Maria Rita lembra que cresceu ouvindo muito jazz no tempo em que morou nos Estados Unidos, sem grandes perspectivas. "Não era ninguém lá. As coisas não vinham até mim, tinha de batalhar muito", declarou. Daí o retorno ao Brasil. "Realmente foi um choque cultural, mas foi ótimo. Todas as experiências que um imigrante poderia ter, eu tive." A reportagem também publicou declarações de César Mariano, do compositor Milton Nascimento e do produtor Tom Capone sobre a cantora, que vai excursionar pela Europa em novembro e pelos EUA na próxima primavera do hemisfério norte. No final do texto, Maria Rita volta a falar da comparação com Elis e a situa no mesmo nível de Ella Fitzgerald. "E aqui estou eu ainda usando fraldas."

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