Maria Bethânia encerra temporada em SP

Lágrimas e risos tornaram-se umacompanhamento indispensável às apresentações de Maria Bethânia,no show Maricotinha, cujas últimas sessões ocorrem neste fimde semana, no Directv Music Hall, com preços promocionais paraamanhã e domingo, quando os ingressos terão valor único deR$ 10 para todas as dependências - sábado, valem os preçosnormais. Em um espetáculo "deslavadamente apaixonado", comoela mesma reconhece, a intérprete não se limita a cantar as 14músicas de seu último CD e comemorar os 35 anos de carreira -Bethânia relembra seus grandes sucessos e, auxiliada peladireção cênica de um antigo companheiro, Fauzi Arap, entremeiaas canções com histórias sobre o início de sua carreira no Rio eem São Paulo. É o momento em que a platéia vibra, se emociona ea acompanha com carinho.Bethânia relembra, por exemplo, as primeiras imagens deSão Paulo que ainda retém e as fortes impressões dasapresentações em boates, locais muito menores que as atuaiscasas de espetáculo. Mas é o momento em que recorda comoconheceu Chico Buarque de Holanda que a intérprete provoca asmais fortes emoções. Bethânia relembra com carinho do compositor, que lhe forneceu muitas de suas principais músicas. E, comohomenagem à cidade que sempre a acolheu bem, ela interpretaRonda, arrancando os aplausos mais emocionados.Como fez na temporada carioca, Bethânia conta históriasde sua chegada ao Rio: a surpresa com uma cidade diferente, nova, e a importância de se apresentar nas casas da noite deCopacabana. "Falo de situações e de pessoas que me marcaramquando cheguei e canto coisas que me marcaram naquele momento evieram a marcar dali por diante", explica.Com Maricotinha, Bethânia quis fazer um show em quetodos que fizeram parte destes 35 anos estivessem presentes.Como ela mesma diz: "Para comemorar tem de ser com os meusamigos." Para colocar no roteiro todos os seus compositoresqueridos, Bethânia chegou a selecionar milhares de músicas, queacabaram se transformando em um repertório de 39 canções.Um trabalho tortuoso, mas compensador: Bethânia revisitaa música popular brasileira em todas as fases. Além das 14faixas do novo CD, só com músicas inéditas, em que Bethâniavaloriza a nova geração da MPB, ela homenageia tambémcompositores de sua geração, que sempre admirou, e outros quenunca teve a oportunidade de cantar. "Sempre estive ligada aonovo, só que algumas canções demoram a amadurecer dentro dagente; não poderia comemorar 35 anos sem Cazuza e Beto Guedes",comenta.Admiradora do estilo e comportamento de Cazuza, quetambém era um grande admirador e conhecedor da intérprete,Bethânia escolheu Todo Amor Que Houver Nesta Vida parahomenageá-lo. Já de Beto Guedes, fã desde sempre e de quem nuncainterpretara nenhuma canção, ela canta Amor de Índio.De Caetano, Bethânia recria O Quereres, música queinterpretou tão logo seu irmão finalizar a composição. Hoje,certamente, aquelas palavras são diferentes. Como ela mesmaacrescenta: "O Quereres hoje é como uma música inédita.Afinal, o que eu quero agora não é a mesma coisa que eu queriaontem. Um prato cheio para intérprete."Já de Chico Buarque, Bethânia reservou uma verdadeiracoleção. A começar por uma faixa do CD Maricotinha, de Chicoem parceria com Edu Lobo, Moça do Sonho, que compõe a trilhado musical Cambaio, o grande fio condutor do espetáculo.Essa canção foi escolhida por Fauzi e Bethânia paradesenvolverem a dramaturgia do show.De Roberto Carlos, Bethânia interpreta um grande sucessoque ele canta de Luís Ayrão, Nossa Canção, e, de Roberto eErasmo Carlos, Fera Ferida. A obra de Gilberto Gil érepresentada por Se Eu Morresse de Saudade, música que elecompôs especialmente para seu novo CD. De Edu Lobo, Bethâniaselecionou O Tempo É como um Rio, dele e de Capinam. E, paracompletar, ela homenageia Rita Lee com um mix de BailaComigo e Shangrilá.Shows históricos - Como é um show comemorativo, Bethâniarevive momentos preciosos de espetáculos que já receberam achancela de históricos. Um dos mais importantes é Rosa dosVentos, que registrou o grande encontro com Fauzi e FlávioImpério, além de inaugurar um estilo próprio de fazer show. Comonão poderia ser esquecida, a experiência no Teatro Opinião, ondeestreou em 13 de fevereiro de 1965, substituindo Nara Leão noshow Opinião, ao lado de Zé Kéti e João do Vale, serve parailustrar as histórias inesquecíveis da noite carioca nas boatesde Copacabana.Como gosta de se definir, Bethânia é uma intérprete,portanto, tem um prazer inigualável em falar com o públicodurante o show, declamando e encenando. Para Maricotinha,ela selecionou textos de seus autores preferidos: FernandoPessoa, Ferreira Gullar, Lya Luft e as poetisas portuguesasNatália Corrêa e Sophia de Mello Bryener. Estes quatro últimossão inéditos em seus espetáculos.Durante a temporada paulistana, Bethânia aproveitou paragravar um disco, que deverá ser lançado no segundo semestre dopróximo ano. Será o último com o selo da gravadora BMG.Encerrado o contrato e os compromissos, seu trabalho passará aser distribuído por uma marca pequena, o Biscoito Fino, cujadiretora é a cantora Miúcha. A intérprete diz ter recebido todasas garantias profissionais necessárias em uma empresa que contaainda com poucos nomes, como Francis e Olívia Hime. Bethânia,que assinou um contrato de cinco anos, garante não terressentimentos com gravadoras multinacionais - apenas preferiuuma empresa nacional, dirigida por pessoas que entendem e sãosensíveis à música brasileira.Maria Bethânia. Amanhã e sábado, às 22 horas; edomingo, às 19 horas. Amanhã (14) e domingo, R$ 10,00. Amanhã deR$ 40,00 a R$ 90,00; R$ 20,00 a R$ 45,00 (estudantes); e R$ 2500 a R$ 60,00 (ingressos antecipados). Directv Music Hall.Avenida dos Jamaris, 213, tel. 5643-2500. Até domingo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.