Maria Bethânia canta Vinicius

A cantora Maria Bethânia homenageia Vinicius de Morais em novo CD e prepara a estréia do show Tempo Tempo Tempo Tempo, no Canecão, no Rio, no dia 24, onde a temporada será de três semanas. Em seguida, apresenta-se em São Paulo por duas semanas, no Direct TV, a partir de 31 de março. Outras capitais vêm depois. A esse tempo, estará chegando às lojas o disco Que Falta Você me Faz, com músicas de Vinicius de Moraes, uma homenagem que ela ensaia há dois anos.Vinicius de Moraes foi o primeiro artista consagrado que Maria Bethânia conheceu ao chegar ao Rio. Foi no dia em que ela estreava como substituta de Nara Leão no show Opinião. O encontro completou 40 anos hoje, mas a cantora fala como se fosse recente. "Foi louco. Parecia que a gente se conhecia há anos. Ele me adotou. Ensinou muito sem ser professoral, foi pai sem ser controlador, autoritário. Era de uma gentileza sem par, embora incisivo quando algo o desagradava. Mas também o era quanto ao que lhe agradava", conta ela. "As coisas mais importantes que aprendi com ele foram: ser verdadeira em tudo; ter prazer no que se faz e manter a disciplina. Ele era assim e não há contradição nisso. Quem faz o dever de casa se diverte muito mais quando vai brincar." Ao longo de 15 anos (Vinicius morreu em 1980), os dois estiveram próximos".No disco, são 14 músicas dele, mais a canção americana Nature Boy, que ela começa cantando na versão feita por Caetano Veloso, e Vinicius termina em inglês. "Incluí porque era sua cantiga preferida de ninar. Ele cantava para mim, para seus filhos e para quem mais chegasse. Dar e receber amor é a melhor coisa da vida e é Vinicius puro", diz Bethânia. "Mas foi um sofrimento ficar em 14 faixas. Começamos com 250 prioridades e acabou sobressaindo sua parceria com Tom Jobim e Baden Powell, mais adequadas ao meu jeito de cantar. A maior parte do trabalho de Vinicius é Bossa Nova e eu sou o contrário disso, canto para fora, não sou nada contida."Bethânia registrou Que Falta Você me Faz e clássicos o O Que Tinha de Ser, Minha Namorada ou Modinha, que abre o disco, num dueto dela com o piano da portuguesa Maria João Pires. Tem até bateria de escola de samba em faixas como Tarde em Itapuã, Mulher, sempre Mulher ou Samba da Bênção, da qual excluiu os versos que Vinicius recitava no intervalo das estrofes. O Astronauta, geralmente, apresentada só instrumental, entra à capella, no início e depois com pandeiro.Como sempre, os arranjos de base são de Jaime Álem, seu maestro há mais de 20 anos, mas as cordas vieram dos Estados Unidos, arranjadas pelo maestro Jorge Calandrelli, que trabalha com Barbra Streisand. "Só depois de escolhê-lo soube que ele é apaixonado pela música brasileira e por Vinicius", conta a cantora. Em alguns momentos, soa Radamés Gnatalli, em outros como os maestros que Tom Jobim teve nos Estados Unidos, mas volta e meia entra a bateria de escola de samba ("É a minha cara", adverte Bethânia) ou um piano à la Jobim, como em A Felicidade. "É o Daniel, neto dele, que toca igualzinho e é muito parecido. Os filhos do Baden também foram importantes. Veja o Samba da Bênção que o Marcel toca como se fosse o pai, com a segunda em tom menor. Fica divino."No disco, há ainda dois poemas de Vinicius, Poética 1, recitado pelo próprio, e Monólogo de Orfeu, sussurrado apaixonada e sensualmente por Bethânia. Esses e outros dois (ela recusa-se a adiantar quais) entram no show, que tem o título de uma música de Caetano Veloso e, embora seja homenagem a Vinicius, terá músicas diferentes das do disco e outras de Caetano e Chico Buarque. "Eles estão comigo em toda a minha carreira, que também já completa 40 anos. Por isso, o título Tempo Tempo Tempo Tempo, que também é muito sonoro", avisa.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2005 | 01h45

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.