Marcos Sacramento lança disco e faz dois shows no Rio

O cantor Marcos Sacramento associa sua arte ao prazer, o dele mesmo e o do público. Por isso, quando canta sambas de meio século atrás não busca resgatar nossa história, mas apresentar músicas que ele gosta. Mais uma fornada desse repertório está no novo CD Sacramentos, em que outras pérolas quase esquecidas vêm à tona. De certa forma, é uma continuação de Memorável Samba, de 2004, com o qual ele viajou todo o País e parte da França."A repercussão de Memorável Samba foi uma grata surpresa, a começar pelas críticas favoráveis. Também foi ótimo visitar outros Estados. Ficou claro que, apesar de o Brasil ter muitas músicas regionais, o samba está presente em todo lugar. E esse repertório faz parte da história de todo mundo", diz Sacramento. Ele reconhece que algumas músicas têm melodias e harmonias complicadas, mas caem no gosto do público de imediato. "De tão lindas e bem-feitas são chiclete de ouvido. Essa é a principal qualidade de compositores como Noel Rosa e Custódio Mesquita. Este então era melodista fantástico. Tom Jobim o incensava."Foi Custódio Mesquita que trouxe Sacramento de volta aos sambas que ele ouvia quando criança. Nos anos 80, no grupo Cão sem Dono, visitava experimentalismos, mas foi chamado para gravar na Funarte um disco do compositor de Nada Além, parceiro de Mário Lago, e sentiu uma vontade que o levou direto ao samba. "O primeiro mergulho foi o disco, ainda em 1994, quando Maurício Carrilho (violão), Marcos Suzano (percussão) e eu nos trancamos num estúdio da Lapa para registrar esse repertório. Naquela época, nem a Lapa nem o samba estavam na moda", lembra. Desde então, ele vem lotando as casas no antigo bairro boêmio com esse repertório.De Mesquita ele grava Adivinhe Coração e Mentirosa, enquanto Noel aparece com Dama do Cabaré e Meu Barracão. Há ainda Herivelto Martins (Cabaré no Morro) e uma rara parceria de Ataulfo Alves e Jacob do Bandolim (Meu Lamento), entre outras. São músicas que fazem a crônica da cidade ou de amores machucados. As duas coisas, sempre com maestria. A novidade deste disco são os sambas de hoje, como Desconsideração. "O Alcofra é do Água de Moringa e quase todo mundo acha que ele só faz música instrumental, mas é excelente letrista. A prova está aí", avisa.Esse prazer fica explícito nas 13 faixas. Os arranjos de Jaime Vignoli são a síntese perfeita de tradição com modernidade e foram gravados de uma vez, com todos os músicos dentro do estúdio. Sacramento chega ao público carioca nas duas últimas quartas-feiras de janeiro (24 e 31), quando ele faz show no Teatro Rival. São Paulo e os outros Estados ainda dependem de fechar patrocínios.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2006 | 15h44

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