Marcelo Pretto faz estréia solo em palco, no Itaú Cultural

Para ele, os shows gratuitos deste fim de semana no Itaú Cultural não comemoram seus 10 anos de carreira, mas sim a sua estréia solo no palco brasileiro. O músico Marcelo Pretto tem sua vida artística entrelaçada com dois dos grupos que ele considera os melhores do Brasil: A Barca, uma reunião de amigos que originou, em 1998, um grupo de pesquisa sobre a cultura popular brasileira, e os Barbatuques, fundado por seu amigo Fernando Barba em 1996, pelo desejo de se expressar musicalmente através de sons tirados do próprio corpo. "Sou muito sossegado, descartava sempre a possibilidade de fazer um disco meu. Desde o início me identifiquei com os dois grupos e assumia os dois trabalhos como meus também", conta. Por insistência de amigos, inscreveu-se no Prêmio Visa de 2002, para concorrer como melhor intérprete naquela 5.º edição. Resultado: Pretto foi um dos finalistas escolhidos entre 1.898 inscritos de 26 Estados. "Sempre admirei os trabalhos de Chico Buarque, Edu Lobo, Dorival Caymmi, todos que poderiam render uma boa classificação no Prêmio Visa. No entanto, como tenho essa ligação estreita com ritmos mais fortes, quando me descobri no meio das emboladas e dos batuques, pensei em apresentar algo que realmente tivesse a minha cara." O repertório selecionado para suas apresentações no concurso foi desde os forrós de Luiz Gonzaga até o samba refinado do paulista Geraldo Filme (1928-1995), como Tristeza do Sambista. "A cultura brasileira é um manancial incrível. E afirmo que ela é vanguardista, jamais será ultrapassada." Pretto vem trabalhando nos shows deste fim de semana, com estréia marcada para esta sexta-feira, desde janeiro, quando Edson Natale, gerente do núcleo de música do Itaú Cultural, o convidou oficialmente. Os parceiros e amigos Chico Saraiva (violão, vencedor do 6.º Prêmio Visa na edição compositores), Ari Colares (percussão), o suíço Thomas Rhorer (rabeca), de A Barca, além de Samba (percussão), Zé Gomes (violino) e o grupo Barbatuques são os convidados especialíssimos de Pretto para as três apresentações que serão gravadas em DVD como parte do programa Ao Vivo Itaú Cultural. FrançaDentre as canções do repertório, prepare-se para ouvir Maracá de Prata, de Humberto do Boi de Maracanã, Assum Branco, de José Miguel Wisnik, e Chorinho pra Ele, de Hermeto Pascoal, cujo fim é interpretado por Pretto em sons indistinguíveis com a boca, enquanto Gabriel Levi o acompanha com o acordeom. "Para fazer esses shows comigo, chamei personagens que fizeram e outros que ainda farão parte da minha vida. É claro que não é um retrato ideal, pois muitos ficaram de fora. Mas já é uma perspectiva de futuro, quando eu for produzir o meu primeiro CD", diz. Quatro músicas suas estão disponíveis no site. Sua primeira estréia solo ocorreu na França, no ano passado. Antes disso, em novembro de 2005, quando Pretto se apresentava com os Barbatuques em Paris, uma fã ficou tão encantada com o talento do garoto de 39 anos que o convidou para assistir ao seu show: ninguém menos que a talentosa francesa Camille, de 26 anos, que esteve no Brasil há um ano. "No fim, perguntou se eu estava na platéia e pediu para eu dar uma canja", relembra. Três dias depois, Camille liga novamente para Pretto convidando-o para abrir os seus shows da turnê européia no início de 2006. A condição? "Que eu não levasse nenhum instrumento." Era ele e seus sons animalescos com a boca. No primeiro show, em Lyon, duas mil pessoas aplaudiram de pé. Marcelo Pretto e convidados. Itaú Cultural (255 lug.). Avenida Paulista, 149, 2168-1776. Sexta a dom., 19h30. Grátis - retirar ingresso meia hora antes

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