Marcelo D2 se rende às mulheres para tentar se reinventar

Depois de procurar pela batida perfeita unindo rap e samba, o rapper brasileiro evita clichês em novo CD

Marco Bezzi, do Jornal da Tarde,

26 de novembro de 2008 | 10h58

O discurso, a aparência e o jeito de suar a camisa continuam o mesmo. A diferença está na alquimia que brilha nas 12 faixas do quarto trabalho solo de Marcelo D2. Se antes o rapper pipocava as caixas de som introduzindo o rap no samba, a partir de agora é a MPB, o funk e o rock que tiram onda na praia de D2.  "Não queria cair no clichê do rap com o samba novamente", fala o rapper. Para o novo disco, o ex-Planet Hemp voltou ao passado. Escutou muito funk, rap e rock dos anos 70. Acelerou os bits e desbravou o armário das mulheres para compor seu novo trabalho. "Estava com muita vontade de fazer algo que tivesse aquela coisa dos vocais femininos nos refrões, mas que não fosse samba. Apesar de todas as meninas cantarem MPB e samba, né?" explica, para depois completar e não cair em contradição. "Mas no meu disco elas cantam com uma pegada mais funk, experimental", completa. São seis faixas adocicadas pelos vocais de Roberta Sá (Minha Missão), Mariana Aydar (Fala Sério!), Thalma de Freitas (Ela Disse e O Qêeêqué), Zuzuca Poderosa (Meu Tambor), e o sampler de Cláudia em Desabafo. A última delas foi lançada dois meses antes do lançamento de Arte do Barulho chegar às lojas. A canção vem com perfume de revival. "Desabafo caberia em qualquer disco meu." Samba com rap no riscado. As letras chamam a atenção para um "tal" de Capitão Nascimento citado em um dos versos. "O filme (Tropa de Elite) é sensacional, mas daí o Capitão Nascimento virar herói nacional é um absurdo. O cara que mete um saco na cabeça de um moleque não pode virar herói em um país que viveu uma ditadura pesada. Vivemos reféns da violência e transformamos em heróis caras que não são", desabafa novamente, com o perdão do trocadilho. Tal pai, tal filho Outros nomes que correm ao lado do time feminino é o de Seu Jorge, Marcos Valle e de seu filho Stephan. Com 17 anos, o adolescente "quase adulto" quer entrar na maioridade mandando ver na rima. Tem seu projeto de nome Start (www.myspace.com/stephanpeixoto) e participa da canção Atividade na Laje no disco do pai.  "Música é cultura. Mesmo que ele não vá trabalhar com isso e fazer disso a vida dele, vai ser importante para a sua formação", ressalta o paizão coruja. "Ele leva jeito pra coisa. Mandou bem em Loadeando, bem nessa música também."  Quanto ao rótulo de "volta ao rock" que estampou algumas notícias sobre seu novo trabalho, D2 justifica: "Tem mais guitarra, mas não chega a ser um disco de rock. Usei (o instrumento) pra deixar o disco mais barulhento. Queria mudar." Como não poderia faltar, Kush fala de seu assunto favorito: maconha. A música foi gravada em Los Angeles com o rapper Medaphor. "É o meu hino, não tem como não ter. Eu adoro, gosto, já falei muito sobre o assunto. Não dá pra fazer um disco inteiro sobre a maconha como foi oUsuário, mas uma musiquinha ou outra sempre vai rolar." Em Los Angeles, D2 também criou a concepção visual de seu novo trabalho. Grafite, arte urbana e old school foram o mote para o livreto distribuído para a imprensa. Segundo o cantor, o livro com letras, fotos e desenhos deverá ser vendido em seus shows. "A primeira intenção foi lançar o álbum em vinil, mas não temos mais fábricas no país." Da música brasileira , D2 diz não escutar nada de novo - com exceção de seus convidados.  Figurinha carimbada em premiações como o Grammy e o VMB, ele diz o que acha dos eventos que ascendem os artistas do Brasil: "O Grammy foi legal por eu poder ter tocado com o Nelson Sargento. Já a premiação é um saco, não importa muito. Tem banda que aluga Lan House porque tem premiação que é 100% internet. Maior besteira."

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