JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Marcelo D2 lança álbum e estreia no cinema o longa 'Amar É Para os Fortes'

Músico dirige o filho Stephan Peixoto em filme inédito

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2018 | 06h00

Marcelo D2 chega à pré-estreia de seu novo longa, Amar É Para os Fortes, bastante ofegante. Com muita desenvoltura, ele convida a reportagem do Estado para um bate-papo rápido nas poltronas do cinema antes do início da primeira sessão do filme em um aconchegante espaço na zona oeste de São Paulo. Até o fim daquela abafada noite, seriam, ao todo, quatro exibições. Todas lotadas. Ícone dos anos 1990 à frente do Planet Hemp, o músico faz sua estreia nas telonas como diretor. Amar É Para os Fortes foi escrito, dirigido e roteirizado pelo próprio D2. “Eu fiquei um bom tempo estudando cinema. Aprendi como escrever um roteiro. Estudei muito por conta própria para que este projeto saísse. Não foi fácil”, lembra D2, com um orgulho estampado no rosto.

Não é para menos. Quem conhece minimamente a história de D2 sabe que as coisas nunca foram fáceis para o jovem morador do Catete, bairro periférico na zona sul do Rio de Janeiro. Ao lado do parceiro Skunk, fundou o Planet Hemp, uma das bandas nacionais mais bem-sucedidas da história recente da música brasileira. “Tenho uma larga experiência com videoclipes. Foram mais de 30 em 25 anos de carreira. Claro que ajudou, mas fazer um filme é algo que vai muito além disso”, complementa ele.

Antes mesmo de terminar sua linha de raciocínio, D2 é interrompido pelo filho, Stephan Peixoto, que entra na sala. Com uma cerveja nas mãos, o jovem de 26 anos senta-se na poltrona ao lado do pai. Eterno astro mirim da música Loadeando, gravada com D2 em 2002, quando Stephan tinha apenas 11 anos, o jovem vive no longa o personagem Sinistro, protagonista ao lado de Beatriz Alves (Chloe) e Lorran Saga (Mayor). “Tem muito da minha vida ali. Não precisei me esforçar para interpretar o Sinistro”, conta Stephan. 

Quase autobiográfico, o filme é uma crônica sonora da realidade carioca. Violência, drogas, amigos, inimigos, família, arte, esperança e amor são as palavras que melhor resumem a produção. Praticamente sem nenhum diálogo, o segredo do filme está justamente nessa narrativa original. Em Amar É Para os Fortes, a história segue o ritmo de 8 das 10 faixas do álbum homônimo, que, assim como o filme, também será lançado nesta sexta-feira, 31, em todas as plataformas digitais.

Com produção de Mario Caldato Jr. e participação de Alice Caymmi, Ana Majison, Danilo Caymmi, Gilberto Gil, Rincón Sapiência, Seu Jorge e Wilson das Neves, Amar É Para os Fortes é o 10.º disco da carreira de Marcelo D2. “No meu último álbum (Nada Pode Me Parar, de 2013), eu tinha feito 16 clipes. Depois, me bateu o estalo: por que não fiz uma coisa só? Uma espécie de audiodisco. Foi um processo criativo longo. É a história de um cara que nasce numa favela, num lugar superviolento, e acha que pode mudar o mundo por intermédio da arte e da cultura. Só que aquele ambiente atrapalha seus planos. Primeiro, eu escrevi o roteiro e só depois pensei nas músicas que iam narrar a história do Sinistro. Sintetizei tudo e passei a compor de uma forma que fizesse sentido dentro do contexto do longa”, conta D2.

D2 também lembra que Stephan não foi a primeira opção para interpretar Sinistro. Segundo ele, isso começou a mudar quando passou a ver as semelhanças entre o personagem e o próprio filho. “No início, eu não pensei no Stephan, não. Depois, por se tratar de uma história quase que biográfica, lembrei que ele tinha características muito próximas do personagem principal do Amar É Para os Fortes. Ele matou a pau”, diz D2. “Desde pequeno, eu já estava acostumado com as câmeras. O Loadeando me ajudou muito, porque foi a partir daí que tive a experiência de um set e tudo mais”, lembra o jovem, que, à frente do grupo Start, já lançou inclusive um disco de estúdio.

Longa sobre o Planet Hemp sai em outubro

A relação de Skunk (morto em 1994) e Marcelo D2 é tema de Legalize Já - Amizade Nunca Morre, filme que estreia nos cinemas no dia 18 de outubro. O longa ganhou seu primeiro trailer nesta semana. No vídeo, no que seria um dos primeiros ensaios da banda, os atores aparecem interpretando a faixa Phunky Buddha, que está no álbum de estreia, Usuário (1995).

Skunk, interpretado por Ícaro Silva, é um artista que sonha em ganhar a vida com o seu talento, enquanto, Marcelo, vivido por Renato Góes, trabalha como camelô e não reconhece o potencial que tem como compositor e cantor. Os dois acabam formando a banda Planet Hemp, uma das mais importantes da música brasileira dos anos 1990.

A cinebiografia conquistou o prêmio de melhor ficção nacional segundo o público na 41.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e também melhor longa-metragem pelo júri popular e melhor roteiro no 12.º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, além de ter participado do Festival do Rio de 2017.

Dirigido por Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, o filme tem roteiro de Felipe Braga. Marcelo D2, que participou de perto de todo o projeto, assina o argumento do filme com o diretor Johnny Araújo. Ele também é um dos responsáveis pela trilha sonora da produção. “O Legalize Já é muito mais que um filme sobre o Planet Hemp. Ele fala sobre a relação de amizade entre duas pessoas e o quanto isso pode mudar a sua vida. Eu já chorei muitas vezes assistindo a este longa. Tenho certeza de que muitas pessoas vão se emocionar também”, diz D2.

Um dos melhores amigos de Marcelo D2, Skunk morreu de complicações decorrentes da aids, em 1994, um ano após a primeira formação do grupo ganhar corpo com BNegão, Rafael Crespo, Formigão e Bacalhau.

Legalize Já também tem no elenco Ernesto Alterio (Brennand), Marina Provenzzano (Sônia), Stepan Nercessian (pai de Marcelo) e Rafaela Mandelli (Suzanna).

 

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