Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Mapeamento Paulista

De São Luiz do Paraitinga, Betão Aguiar tem intenção de ir para o Cariri, no sertão cearense para dar continuidade a seu trabalho de documentação das manifestações populares. Mestres Navegantes foi inspirado em expedições como as do escritor Mário de Andrade e do antropólogo Hermano Vianna. Antes, porém, Betão fez ao lado do pai, o "Novo Baiano" Paulinho Boca de Cantor, um levantamento minucioso da música do Estado de São Paulo. O material da pesquisa Música de São Paulo - da Catira ao Rap está "em constante evolução" disponível no site Música de São Paulo.

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulo,

11 de maio de 2011 | 06h00

Ali, o internauta encontra depoimentos em vídeo como o do sambista Oswaldinho da Cuíca sobre a importância do bairro da Barra Funda para o samba paulistano, de Inezita Barroso sobre Cornélio Pires e Toquinho revelando o que inspirou Vinicius de Moraes a compor Regra Três com ele. Ná Ozzetti fala sobre a canção Capitu, de Luiz Tatit, e sobre as cantoras de São Paulo, o guitarrista Edgar Scandurra depõe sobre a diversidade da cena musical paulista, entre vários outros.

Em 2002 Paulinho já tinha feito levantamento semelhante sobre a música da Bahia, em parceria com Edil Pacheco, e reuniu no CD duplo Do Lundu ao Axé - A Bahia de Todas as Músicas, com 24 faixas, 29 das canções mais representativas de seu Estado natal. O projeto sobre São Paulo tem uma lista de 36 canções, mas em vez do CD foi criado o site. A ideia ainda é fazer um grande show com vários artistas interpretando essas músicas para sair em DVD.

"Chamamos Ivan Vilela, Maurício Pereira e Sérgio Molina para, com meu pai, elegerem as músicas que melhor representam a cultura do Estado de São Paulo", diz Betão. "Quando fiz o levantamento da Bahia, não teve site, quando Betão sugeriu isso de cara entrei, porque a internet é tão mais ampla", diz Paulinho. "É um recorte desses quatro curadores, mas todo mundo pode contribuir aos poucos", diz Betão.

Quando fizeram o levantamento, os curadores perceberam que havia muita gente da nova geração que também tinham "músicas maravilhosas" sobre o tema. "Mas tem essa questão de a música perpetuar. Por mais que Marcelo Jeneci tenha feito uma canção como Amado (parceria com Vanessa da Mata), que estourou no Brasil inteiro, não dá para botar na mesma balança que um Adoniran Barbosa, que um Elpídio dos Santos."

A conclusão a que Paulinho chegou é que por mais que a música de São Paulo seja diversificada - seja vanguarda, rock, samba ou hip-hop -, seu retrato mais evidente é a música caipira. "Vi que o negro aqui, quando chegou, essa coisa do caipira já estava meio formada. Então, o samba daqui também logo se miscigenou." / L.L.G.

 

 

Viola até no rock

A lista das 36 músicas representativas de São Paulo começa com a Moda do Bonde Camarão, de Cornélio Pires e Mariano da Silva, e se encerra com Diário de Um Detento, dos Racionais MCs. Claro que não faltam Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Rita Lee, Mutantes, Arnaldo Antunes, Titãs, Luiz Tatit, Renato Teixeira, o grande clássico da música sertaneja, Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira) e um dos choros mais famosos mundialmente, Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu). "Mas a música caipira está até no rock", diz Paulinho.

E a união de guitarra e viola em 2001, de Rita Lee e Tom Zé é a prova.

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