Manu Chao ensina como fazer um show

Moreno Velloso, na abertura da segunda noite do Free Jazz Festival em São Paulo, anunciou: "Calma que daqui a pouco tem carnaval". Ele estava se referindo ao francês Manu Chao, que após o término da apresentação do filho de Caetano subiu ao palco New Directions, no Jockey Club, e mostrou como fazer uma apresentação dinâmica e profunda. O percussionista e produtor Domenico Lanceloti, um dos +2 da banda de Moreno, disse estar cansado. O motivo: dançara muito na noite anterior, no show realizado por Chao no Rio de Janeiro. O francês fez um show tão bom que dificilmente algum artista conseguirá superá-lo neste Free Jazz 2000. Moreno e seus parceiros ? Alexandre Kassim no baixo acústico é quem completa o time ? fizeram um show, no mínimo, corajoso. De fato, tocaram para um público bem reduzido. Optaram por começar com canções singelas. Num banquinho e violão, Moreno tocou, na ordem, Deusa do Amor, Sertão, Sinto-me Bem e Para Xó , todas de seu primeiro disco Máquina de Fazer Música (Rockit!). Um pouco deslocado, o artista acompanhou o fluxo dos presentes. Na medida em que crescia o público a música de Moreno ficava mais pesada. Trajando uma camisa da seleção da Itália, o príncipe tropicalista mostrou que faz música porque gosta, somente por isso. Parece não se preocupar com nada, muito menos com a opinião dos que estavam presentes. Além das canções de Máquina... tocou também releituras de Cole Porter e Luiz Gonzaga. Fechou com o samba de roda Embala Eu . Ele e os dois companheiros tocando pandeiro e a bateria eletrônica acompanhando ao fundo. Grand Finalle. Melhor show ? Sem parar por um instante, Manu desfilou canções de seu primeiro álbum solo, Clandestino , e outras mais do Manu Negra, sua antiga banda, que em 1992 tocara no Brasil. Foram cerca de duas horas em que o público conferiu todo o fervor político e musical do francês. Não há vazios sonoros, silêncio, quando Chao domina a cena. Sua mistura de reggae, ritmos latinos e caribenhos, blues, rock e jazz é, no mínimo, impactante. E como gosta do palco! E ele faz questão de se mostrar confortável. Quando tocou Clandestino , o público adorou. Com Tijuana , e suas inúmeras versões, passou a reverenciá-lo. Ele, em troca, tocou Minha Galera, um carinho no rosto de cada um de seus fãs brasileiros. Moreno, Domenico e Kassim, pelo visto, tanto gostaram que repetiram a dose. Dançaram a noite toda. Eles e as cerca de mil pessoas que puderam acompanhar o melhor show do Free Jazz até então.

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