Malvisto no Brasil, Nelson Ned era adorado no exterior

O 'pequeno gigante da canção' foi o cantor de linhagem popular que mais obteve sucesso fora do País

Renato Vieira,

05 de janeiro de 2014 | 22h00

O "pequeno gigante da canção" Nelson Ned foi, assim como os outros artistas ditos bregas, desprezado pelos setores intelectuais brasileiros. Mas foi o cantor de linhagem popular que mais obteve sucesso no exterior, vendendo milhões de álbuns nos países latinos e EUA e conquistando fãs como o escritor colombiano Gabriel García Márquez, de Cem Anos de Solidão.

A repercussão da sua carreira fora do Brasil, e especialmente a admiração de Márquez, surpreendia as cabeças pensantes do País.

Em trecho do livro Eu Não Sou Cachorro, Não (Ed. Record, 2002), de Paulo Cesar de Araújo, há trechos de entrevista do colombiano à TV Manchete, nos anos 1980. Chico Buarque fez a seguinte pergunta: "As suas preferências musicais causam espanto em muita gente, principalmente no Brasil. Se os seus romances fossem música, seriam samba, tango, som cubano ou um bolero vagabundo mesmo?". A resposta: "Gostaria que fossem um bolero composto por você e cantado pelo Nelson Ned".

"É uma pena que Nelson tenha ficado doente em um momento em que a música brega passou a respeitada", reflete Araújo, que em seu livro redimensionou a importância de artistas identificados com as camadas populares, entre eles Waldick Soriano, Odair José e, é claro, Ned.

Ele foi um dos entrevistados para o livro, surpreendendo o escritor com suas reflexões sobre o "apartheid musical", a partir dos anos 1970, quando a música dita cafona era o som das classes mais pobres e ignorada pela elite e por parte da imprensa. "O artista popular da minha linha, da linha de um Agnaldo Timóteo, não tem que se preocupar com a imprensa. Quem tem que se preocupar com a imprensa é Djavan, Milton Nascimento, Caetano, Chico, porque eles vivem de imprensa. Nós, não. Nós somos cantores de AM, de rádio, somos homens do povo."

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