Mallu Magalhães, a menina da internet, já tocou na Europa

Novo sucesso da música brasileira conta como foi tocar em festival português com namorado Marcelo Camelo

Marco Bezzi, do Jornal da Tarde,

12 de agosto de 2009 | 15h00

Tocar no exterior é o sonho de todo artista iniciante. Mas para Mallu Magalhães, a menina prodígio que completa 17 anos no próximo dia 29, o sonho se tornou realidade rapidamente. Em uma viagem à Europa, o empresário da cantora fechou sua participação no Festival Sudoeste, na cidade de Zambujeira do Mar, distante duas horas e meia da capital portuguesa, Lisboa.

 

Agosto chegou e Mallu foi com mala, empresários, músicos, assessora, a irmã Ana Maria e o namorado artista Marcelo Camelo para o local do evento. Seu show, marcado para a quinta-feira passada, seria o primeiro do dia, às 20h30.

 

Na segunda-feira, a garota embarcou para Portugal no meio da pré-produção de seu novo disco, produzido por Kassin e mais voltado à música brasileira - as gravações mesmo começam no dia 1º de setembro, em São Paulo.

 

O Festival Sudoeste prometia cinco dias de shows, atividades e atrações especiais como a volta do Faith No More e o show energético de Lilly Allen. Organizado pela produtora de nome sugestivo - Música no Coração -, o evento emulava um espírito meio hippie a la Woodstock.

 

Ótimo lugar para que Mallu e Camelo - que tocou logo após a namorada - não fossem importunados por perguntas sobre o relacionamento dos dois, que corre há quase um ano. Na quinta-feira, foram contadas 25 mil pessoas que passaram por todas as áreas e tendas do evento. Na hora em que Mallu tocou, duas mil delas tentavam entender seu som e suas levadas de pop folk.

 

Depois do show, a cantora fotografou a apresentação do namorado, deu entrevistas para jornais locais e para a rádio Antena 3 e distribuiu autógrafos.

 

O casal decidiu jantar na área comum dos artistas e voltar para o hotel. Mallu aproveitou Lisboa para comprar novas roupas, conhecer o zoológico e o Oceanário, o maior aquário da Europa.

 

De Lisboa, seguiu para Veneza, na Itália, de onde volta no sábado. Ela tem um novo disco esperando para ser gravado.

 

"Cheguei a tremer..." Leia texto especial de Mallu Magalhães para o Jornal da Tarde.

 

Vim contente atravessando turbulências e acidentes de ônibus e, passados sustos tais, já comecei a tranquilizar meu peito: Lisboa soprava vento familiar. Zambujeira do Mar eu não sabia como era. Do festival, eu até tinha uma imagem a esperar; dias antes aquecia minha ansiedade com as fotos na internet.

 

"Grande, hein?", comentou papai quando lhe mostrei a programação. Grande mesmo. Gente grande, palco grande, campo grande, cabanas pequenas (essas do pessoal acampado). Sonhei, orgulhosa, com Woodstock.

 

Não tinha tanto hippie (pena, gosto deles). Tinha muito jovem. Tinha todo tipo. Tipos que saíam de toalha de banho no rio e tipos que saíam pelados. Tipos escuros e clarinhos também (que, no caso, acabavam avermelhados!).

 

Passeei entre os tipos todos quando luz ainda tinha. Passearia de noitinha também, mas tive que subir no palco. Palco esse era montado em cima da grama. E tinha-se que ter coragem: primeiro toca-se e, assim, vem o público ver.

 

Público jovem, mais novinhos, famílias e gente mais velha (ou apenas indisposta para atravessar estradas por horas e por dias para acampar) não havia. Por isso, admito que senti medo.

 

Subimos eu e meus fiéis meninos, para tocar quando o pessoal ainda tava meio solto ali por perto. "Nem todo mundo vai até o palco menor", pensei. Cheguei a tremer. O corpo esfriou e a mão direita caiu: já batia nas cordas do banjo. Respirei fundo e mandei voz a fora quando, como crianças que ouvem o mar, vieram ao palco os tipos em grupos.

 

Aproveitei meu suspiro para cantar mais alto e intensamente. Eita, som bonito! Bonito ali junto tinham as árvores todas, as tendas das atrações, a montanha russa, o acampamento e a banda contente.

 

Ao longo das canções, tentei comunicação: "Muito obrigada", falava eu, meio enroscada nos cabos.

 

Agradecia de coração bem fundo o público cheio de carinho e palmas longas. Sabe, esse pessoal era muito amigo. Pra eles, tocamos de tudo: músicas novas, versões, tentativas e quase todas do primeiro álbum e, quando acabou, chegaram a assoviar.

 

Saí meio pro lado e arrumei um jeito de descer na plateia: estava, pra entrar, Marcelo Camelo. Boa viagem.

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