Malheiro deixa Municipal do Rio e critica nova gestão

O maestro Luiz Fernando Malheiro não é mais o diretor musical convidado do Teatro Municipal do Rio. A informação, que desde o início de junho circulava extra-oficialmente, foi confirmada pelo próprio maestro na sexta-feira. Ele deixou a instituição após o corte no orçamento e o cancelamento da temporada deste ano, anunciados pelo secretario de Estado da Cultura e presidente da Fundação Teatro Municipal Antonio Grassi no início de junho.Segundo Malheiro, sua saída foi motivada pelas atitudes da nova direção, que assumiu em abril. "Isso não se faz. É errado cancelar toda uma programação depois de garantir, por mais de um mês, que a manteria; pega mal para o Municipal. Depois disso, eu não tinha cara para ficar lá e lidar com os artistas com quem eu havia assumido compromissos."O maestro afirma que todas as mudanças aconteceram de modo incerto. "Num momento, tudo era confirmado, depois, voltava-se atrás. A indecisão com relação à Gioconda é uma prova de incompetência", diz ele, referindo-se ao cancelamento da ópera de Ponchielli que seria feita em co-produção com São Paulo e que será substituída por uma montagem paulistana de Madama Butterfly, com Eliane Coelho no elenco.Malheiro vê com reservas a justificativa de falta de verbas dadas por Grassi. "Se não tem dinheiro, fecham-se as portas. Neste caso, poderia ser feita uma adaptação na programação, com troca de elencos ou renegociações de cachês, mas mantendo títulos. Cancelar tudo é um desrespeito aos artistas, que se programaram e contavam com esses trabalhos."O maestro, também diretor do Teatro Amazonas, discorda do argumento de Grassi que, desde que assumiu, fala do estreitamento de laços do teatro com a secretaria. "O teatro é um universo vivo, que, pelo número de artistas contratados e sua função na vida cultural da cidade, precisa ser independente, por isso é uma fundação, não pode ficar disputando papel higiênico com outros espaços da secretaria."Procurado pelo Estado, Grassi afirmou ter ficado surpreso com as declarações do maestro, com "quem procurei sempre manter bom diálogo". O secretário reafirmou também a idéia de que o teatro precisa funcionar em conjunto com a secretaria. "O maestro precisa entender que o Municipal não é um castelo isolado." A definição da nova programação foi prometida para o fim desta semana.

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