Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Mais maduro, Edu Sereno lança o disco 'O Pão que o Diabo Ama Sou'

Cantor e compositor faz show de lançamento em São Paulo

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2015 | 18h00

Edu Sereno tem a poesia na ponta da língua. Vê no cotidiano da grande metrópole sua inspiração para compor e falar sobre as coisas que estão à margem da sociedade. Embora poeta, o cantor e compositor paulistano, que faz show de lançamento do disco O Pão que o Diabo Ama Sou nesta segunda-feira, 12, no Sesc Ipiranga, não se considera um sonhador. Muito pelo contrário. Para ele, a realidade de São Paulo, por si só, já é um sonho e serve de motivação para externar seu descontentamento com as imposições contraditórias de um mundo preconceituoso e recheado de dogmas infundados.

O garoto que cresceu no bairro da Penha, na zona leste da capital paulista, está mais maduro. Neste novo álbum, vomita rimas e poesias de forma inteligente. Soturno, fala de amor sem ser explícito. Transmite sofrimento sem ser abusivo. Questiona sem perguntar. Depois do bem sucedido EP Esquinas, Janelas e Canções, lançado em 2013, Edu caiu na estrada. Rodou o Brasil. Tocou em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba. “Aprendi uma coisa nova em cada um dos shows. Só assim a gente cresce. Lembro que na primeira música da apresentação na Virada Cultural deste ano o microfone falhou. Há sempre uma dificuldade e, consequentemente, um ganho”, afirma.

Cercado por um leque cultural heterogêneo, aos 16 anos compôs sua primeira música e, aos 19, já se apresentava em bares da capital paulista. Com rimas fáceis e uma voz leve, Edu Sereno sempre encontra brecha para amolecer a truculência do espírito e o peso do existir. Em Agenda, o paulistano fala de amor e critica de maneira sucinta a correria frenética e esquizofrenia dos cidadãos. “Acho que a poesia é mais real na música alternativa. Artistas como Criolo ou Rodrigo Campos retratam perfeitamente o cotidiano dos cidadãos. Eles falam sobre a nossa cidade e o que ela reflete da gente, nossos problemas. Música no fim das contas é isso aí: histórias que são minhas, mas que poderiam ser de qualquer um”, conclui.

Ex-aluno do curso de Publicidade e Propaganda, Edu decidiu abandonar a faculdade para se dedicar à música após sofrer uma apendicite. Segundo ele, foi uma decisão baseada na vibração do coração. “Eu queria ser redator publicitário, mas eu não levava jeito para a coisa. Não conseguia persuadir ninguém. Minha música é um convite a algo que não sei dizer o que é. Convidar não é persuadir”, brinca.

No ano passado, entretanto, Edu recebeu com entusiasmo a notícia de que seria pai pela primeira vez. Juno nasceu em agosto e fez o jovem compositor repensar sua continuidade na música. “Ser independente é algo complicado. Nem sempre há dinheiro entrando. Cogitei desistir de tudo e voltar para a publicidade, já que tinha alguém que dependia de mim a partir daquele momento. No entanto, quando olhei para o meu filho, senti que ele, de alguma forma, me deu forças para continuar”, diz.

Intervenções. O lançamento de O Pão que o Diabo Ama Sou foi sendo feito de maneira gradual desde o começo do ano. Edu elaborou duas intervenções artísticas pela cidade para divulgar o conceito questionador do novo trabalho. A primeira foi realizada embaixo de um viaduto da Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. 

Já a segunda aconteceu na ponte do Glicério, no centro da capital paulista. A ideia central é mostrar música para a população que está sempre à margem da sociedade por intermédio de cartazes e arte. “O Pão que o Diabo Ama Sou não é um disco de respostas, mas de questionamentos. No atual momento que vivemos, o mais interessante é perguntar, não responder”, crava.

EDU SERENO

Sesc Ipiranga 

R. Bom Pastor, 822, Ipiranga. 

Tel.: 3340-2000. Amanhã, dia, 12, às 18h. R$ 6/R$ 20. 

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