Mais intimista, Juliana Amaral apresenta 'Samba Mínimo'

Apadrinhada pelo sambista carioca Moacyr Luz, novo show conta com canções da velha e nova geração

Livia Deodato, de O Estado de S. Paulo,

24 de junho de 2008 | 15h49

O Samba Mínimo que Juliana Amaral faz nesta quarta-feira, 25, e nas próximas duas quartas-feiras nada vai interferir na qualidade do show. Muito pelo contrário, a intérprete de doce voz promete endossar muito bem o ditado dos sábios que diz que "menos é sempre mais". O nome escolhido para intitular o show diz respeito à adequação ao espaço onde ele será apresentado e também aos novos arranjos feitos sobre 6 das 14 canções incluídas em seu último álbum, Juliana Samba, lançado no fim do ano passado, além de outras de compositores contemporâneos, como Fred Zero Quatro e Arnaldo Antunes. "São arranjos simples, somente para voz, violão (Gian Corrêa) e percussão (Samba Sam e Ricardo Valverde)", conta. Veja também:Ouça trecho de 'Meu Amor Já Foi Embora', de Juliana Amaral  Juliana criou esse novo show, em um formato mais intimista, quando foi convidada a cumprir temporada no Ópera Buffa, na Praça Roosevelt, às terças-feiras de março e abril. "É um teatro fora de circuito e o dia também era fora de circuito. Ainda assim tive público, fui superbem recebida", relembra. Deu tão certo que agora Juliana transferiu o mesmo show para o Espaço Décimo Terceiro Andar do Sesc Avenida Paulista, que comporta cerca de 50 pessoas. A proximidade com o público também impulsionou Juliana a pensar o novo show como um espetáculo de dança ou uma peça teatral - com começo, meio e fim. Para realizar a costura entre as músicas, a cantora selecionou poemas de Bertolt Brecht (De Todas as Obras), Paulo Leminski (Sossega Coração e Roupas no Varal) e Ana Cristina Cesar (Cartilha da Cura e Psicografia). "Escolhi poemas que criassem esse elo com a questão urbana e contemporânea que abordo no show. Os poemas possuem várias camadas de sentido. Obviamente, não serve como cartilha para entender o show." Diz um trecho do poema De Todas as Obras, de Brecht: "De todas as obras humanas, as que mais amo/ são as que foram usadas./ Os recipientes de cobre com as bordas achatadas e com mossas/ Os garfos e facas cujos cabos de madeira/ foram gastos por muitas mãos: tais formas/ são para mim as mais nobres." Apadrinhada pelo sambista carioca Moacyr Luz, a intérprete ainda espera levar ao Rio os repertórios de Juliana Samba e Samba Mínimo, que ainda incluem Samba a Dois, de Marcelo Camelo, e Canta, de Wilson Batista, entre muitas outras.

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