Mahogany mostra seu jazz açucarado

Um do nomes que mais têm impressionado especialistas de jazz americanos e europeus está no Brasil. Dono de uma voz de barítono ao mesmo tempo poderosa e aveludada, intérprete com forte queda pelos clássicos do gênero, Kevin Mahogany é a quarta atração do festival Diners Club Jazz Nights, de hoje a quinta, no Bourbon Street. A importância de Mahogany abriu exceções na grade do festival. Nem à pianista Diana Krall, ao saxofonista Kenny Garret e muito menos ao cultuado guitarrista John Scofield - nomes que se apresentaram recentemente no projeto - foram reservadas três noites consecutivas. O grupo Los Hombres Calientes, do fabuloso trompetista Irvin Mayfield, fecha o Diners Club no dia 6 de dezembro. Mahogany, 42 anos, desembarca para cantar pela primeira vez em São Paulo com um álbum recente na bagagem. Lançado este ano País, My Romance, que já chegou ao mercado internacional há dois anos, será a fonte principal de sua performance. "Não pensei em nada muito especial além das canções que sempre faço em meus shows. Admiro muito Ivan Lins e Milton Nascimento, mas ainda não é certo que terei canções deles no roteiro", adianta. Ecletismo musical - De estilo econômico que o faz praticar poucos vibratos e scats (improvisos vocais), Mahogany diz ser produto de uma diversidade musical que o bombardeia desde a infância. "Ouvi sempre tudo o que me rodeou. Além dos grandes jazzistas, canto influenciado pelo blues, pelo rythm-and-blues e até pelo rock." Tanto ecletismo, no entanto, não lhe permite fugir do convencional. Em My Romance sua voz soa como se estivesse nos anos 60 e suas interpretações, de intenções essencialmente românticas, jamais aderem aos experimentalismos dos instrumentistas "young lions" de sua geração. My Romance, quase um disco pop, traz versões açucaradas para temas como Don´t Let me Be Tonight, Starway to the Stars e a própria My Romance. Antes de assinar contrato com a Warner, em 96, Mahogany lançou três discos pelo selo alemão Enja. Ao estrear na nova gravadora, chamou a atenção da imprensa especializada. "Um dos mais destacados cantores de jazz de sua geração", escreveu um crítico da Newsweek. Não lhe faltaram elogios também em publicações como The New Yorker, L.A. Times e USA Today.Outro momento importante que impulsionou sua carreira foi a participação que fez no filme Kansas City, também em 1996. Recrutado pelo diretor Robert Altman, Mahogany interpreta um personagem inspirado no cantor Big Joe Turner. Kevin Mahogany - De hoje a quinta, às 22h15. Bourbon Street (R. dos Chanés, 127. Tel.: 5561-1643). Ingressos: de R$ 45 a R$ 65.

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