Magic Numbers seguem a trilha do álbum de estréia

Com dois meses de atraso - suficientenestes tempos de frenesi internético para fazer qualquer bandaser superada por várias outras e uma canção cair no esquecimento-, eis que finalmente sai em versão nacional o aguardado segundoálbum do quarteto britânico The Magic Numbers, Those theBrokes (EMI). Não é preciso mais do que uma audição para sentirque é daqueles que merecem outras muitas. Como outras dúzias deseus contemporâneos, as duplas de irmãos Michele & Romeo Stodarte Angela & Sean Gannon assumem um ar de despretensão, têmvínculos evidentes com o rock dos anos 60 aos 80, mas também coma soul music clássica da escola Motown. De boas influências o inferno do indie-pop-rock andacheio e ter acesso à discografia dos pais não é precedente paradar crédito a nenhum aventureiro. O que fez The Magic Numbersganhar confiança no primeiro e ótimo álbum de 2005 foi - além doequilíbrio nos arranjos, nos vocais e tudo o mais - a habilidadede Romeo (principal compositor da banda) para criar melodiascativantes. Os componentes básicos do álbum homônimo de estréiaestão todos aqui novamente: arranjos de cordas, baladas tocantes vocais delicados, guitarrinha acústica de sonoridade folk,alguma melancolia. A faixa que mais concentra esses elementos éTake me or Leave me. Ingredientes de Belle & Sebastian O primeiro single do álbum, Take a Chance, é daquelesêxitos certeiros, para se cantar junto, com uma linha de baixo euma marcação de bateria que impelem a dançar enquanto o corovocal flui em delicadeza. Qualquer comparação com Belle &Sebastian não é despropositada - como em dois outros acepipescom os mesmos ingredientes: This Is a Song e Runnin? out. Carl?s Song já se comunica com antecedência pelotítulo. É dedicada a Carl Wilson, um dos Beach Boys, morto em1998, e, alternando andamentos, obviamente tem influência dosarranjos de sua fonte de inspiração. Diz Romeo que o próprioCarl cantou para ele a melodia num sonho. Vai saber. A balada soul Boy parece do tipo que tinha lugarcativo nas FMs dos anos 70, mas é algo mais elaborado. Most ofTime é outra de boa linhagem soul. Não é por acaso que eles sãocomparados aos Mamas & Papas pelas harmonias vocais e osmelhores exemplos estão em Slow Down (The Way It Goes). Pelovisto o tão propagado fim da canção, no formato como descreveu oséculo 20, parece longe de afetar os Magic Numbers. OK, nada denovo, mas bate bem no paladar.

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