Maestro quer dar nova cara ao Municipal de SP

Após um ano de suspense, o Teatro Municipal de São Paulo ganhou um novo diretor musical: o maestro norte-americano Ira Levin, que vai dividir a administração do teatro com Lúcia Camargo, há um ano responsável pela parte executiva da casa. "Meu principal objetivo é o aproveitamento do potencial dos corpos estáveis da casa", diz ele ao Estado, em sua primeira entrevista como diretor. Levin mostra-se bastante confiante em relação ao seu novo trabalho e já faz planos para 2003. E também parece despreocupado quanto ao fato de que, nele, está sendo jogada a esperança de uma espécie de "ressurreição" do teatro.Seu primeiro concerto como diretor será em abril, quando ele rege a Sinfônica Municipal em um programa com o Psalm n.º 100, de Max Reger, e a Nona Sinfonia, de Beethoven. "A peça de Reger é uma gigante obra coral, ideal para nosso Coral Lírico", diz o maestro, que também é regente principal da Deutsche Oper am Rhein, de Düsseldorf. Ele retorna a São Paulo só em maio, para um concerto com obras de Nielsen, Haydn e Brahms. Em junho, ele diz que se muda para a cidade, onde pretende ficar até dezembro. O mesmo deve ocorrer em 2003, quando Levin afirma que quer introduzir no repertório do teatro "clássicos" do século 20 como Jenufa, Peter Grimes, Lady Macbeth e Elektra. Seu contrato é de duas temporadas. Quando Levin chegar para seu primeiro concerto, porém, a temporada do teatro já terá começado: em março, Jamil Maluf e sua Experimental de Repertório repetem a Carmen estreada no ano passado no Alfa, e o alemão Kristian Commichau rege o Réquiem, de Mozart, com a OSM. Estão previstos também para a temporada uma programação sinfônica e mais cinco óperas: João e Maria (abril), de Humperdinck, Macbeth, de Verdi (julho), La Gioconda, de Ponchielli (agosto), Sansão e Dalila, de Saint-Saëns (setembro, em versão de concerto), e Don Giovanni, de Mozart (em outubro).Ambição - "São as produções que, eu acredito, são mais propícias para este momento. Macbeth é um grande exemplo da primeira fase de Verdi. Sansão e Dalila dá uma boa chance para nosso coro mostrar seu trabalho. Don Giovanni é uma das maiores óperas de todos os tempos e é bom para a orquestra tocar, sempre, Mozart e Haydn, os mais difíceis de todos. La Gioconda é uma excelente alternativa para os Verdi e Puccini tradicionais, ótimo para o público", explica.Ainda não divulgada, a temporada de concertos terá, segundo Levin, peças de Brahms, Berlioz, Haydn, Mozart, Bruckner, Mahler, Hindemith, Stravinski e Nielsen. "São programas ambiciosos, que vão exigir muito trabalho da orquestra, que eu quero ajudar a trazer de volta ao nível que ela pode ter. Também tentei incluir o Coral Lírico o máximo possível, um coro fantástico que precisa cultivar seu potencial. Pretendo, ainda, ampliar as atividades do Coro Paulistano."Uma das novidades deste ano é a primeira co-produção com o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que nos últimos anos fortaleceu sua temporada de ópera, e programou para este ano uma nova produção de La Gioconda, com a soprano brasileira Eliane Coelho, que faz sua estréia no papel. "Vou reger a estréia paulistana e espero que também possamos ter Eliane no papel principal. Ela é uma grande artista, que conheço dos anos que passamos juntos em Frankfurt. É muito positivo e importante estabelecer uma colaboração mais estreita com o Rio", diz o maestro, que afirma que, até mudar-se para São Paulo, estará em contato por e-mail com a administração do Municipal e com Luiz Fernando Malheiro, diretor musical convidado do teatro carioca.Levin admite, porém, que "há um certo limite" quanto ao que se pode obter apenas por conversações por e-mail. "Não concordo com um diretor que nunca está presente e mantém assistentes fazendo seu trabalho. Estar no teatro é necessário, não há outra forma de mudar as coisas e instituir uma marca pessoal."Levin começou sua carreira como pianista e compositor e logo passou à regência. Seu primeiro concerto foi aos 26 anos e ele tem se dedicado em especial à ópera - possui aproximadamente 60 títulos em seu repertório, composto por autores como Janacek, Wagner, Mozart, Verdi, Pfitzner, Verdi e Smetana. "Sou uma pessoa possuída pela música, que é minha razão de viver. E o que mais me preocupa agora é São Paulo, onde espero enriquecer a vida musical do teatro e da cidade."

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