Maestro procura novas referências

Coragem. É esse o atributo que o maestro Koellreutter acredita ser indispensável para a compreensão e vivência da música contemporânea. Em um universo musical repleto de diferentes referências e rupturas com as formas tradicionais de composição, o ouvinte deve fazer esforço para entender a partitura não em contraposição ao repertório tradicional, mas como algo novo que precisa ser compreendido a partir de outros parâmetros."É mais difícil perceber e entender uma nova linguagem, mas essa dificuldade é humana", aponta o maestro. "Se os elementos utilizados pelos novos compositores são diferentes, o vocabulário é outro, a sintaxe tem de ser outra, a gramática é nova, o que dificulta a compreensão dos valores emocionais da música", observa ele. "Essa situação exige um ouvinte mais ativo e co-participante: no fundo, a relação entre o compositor e o público deve ser diferente."Em busca de palavras que possam melhor descrever o significado daquilo que ele procura defender, Koellreutter, após um longo silêncio, volta-se para um quadro de Saulo Di Tarso, pendurado em uma sala de seu apartamento no centro da cidade, no qual recebeu a reportagem do Estado. "É necessário ficar claro que, para vivenciar uma realidade como essa, é preciso ter coragem."Essa coragem é fundamental na ampliação da consciência. "Ela é fundamental para que as pessoas passem a ouvir música de outro jeito, para que o universo de referências seja novo: é este o sentido da nova estética, ter a arte como parte integrante da vida", conclui.Ensino - A busca pela falta de rigidez na interpretação e na compreensão é, além da meta de vida do maestro e compositor uma das principais características do Koellreutter professor. "Quando se ensina uma matéria criativa como a música, o professor deve estar disposto a prender do aluno a maneira certa de ensinar, uma vez que cada estudante apresenta ao professor outros problemas e tendências: só assim se estabelece um diálogo vivo, essencial, de idéias."Tudo isso sempre tendo em vista a não utilização da hierarquia, que dá ao processo educacional uma rigidez desnecessária. "Uma das melhores aulas que dei foi quando o aluno chegou, levantou-se, e disse: ´Hoje quem dá aula sou eu´."

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