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Maestro do Bolshoi se demite em meio a crise

Vassily Sinaisky, responsável pela orquestra do teatro, sai da instituição afundada em escândalos e processos

02 de dezembro de 2013 | 17h40

Em meio aos escândalos que o Teatro Bolshoi tem enfrentando este ano, o regente da orquestra principal, Vassily Sinaisky, pediu ontem demissão, em Moscou. O anúncio foi feito Vladimir Urin, diretor da instituição russa, fundada no século 18.

“Sinayski pediu demissão. Depois de conversar com ele, resolvi aceitar. A partir do dia 3 de dezembro ele já não trabalhará mais no Bolshoi”, declarou Urin à imprensa russa, sem revelar os motivos alegados por Sinayski. O diretor lamentou que o artista tenha abandonado o posto no meio da temporada “a duas semanas da estreia da ópera Don Carlos, de Giuseppe Verdi, que ele comandava”.

O anúncio da demissão do regente, que também é maestro convidado da orquestra filarmônica da BBC, coincidiu com a notícia de um acordo coletivo para dar fim aos escândalos nos quais a instituição esteve envolvida recentemente.

“Trata-se de um grande esforço para resolver assuntos de debate que requer compromisso das partes”, explicou Urin. Segundo ele, em 19 de dezembro será formado uma comissão que deve apresentar o esboço do acordo no prazo de um mês.

A demissão foi anunciada na véspera da sentença do tribunal Meshanski de Moscou sobre o ataque com ácido contra o direto do balé do Teatro Bolshoi, Serguei Filin. O diretor artístico ficou praticamente cego por causa de um ataque em 17 de janeiro deste ano, quando Yuri Zarutsky, suspeito de ter sido contratado pelo bailarino Pável Dmitrichenko, jogou ácido em seu rosto. Após o incidente, o artista passou por mais de 20 cirurgias para não perder a visão. O promotor pediu nove anos de prisão para o bailarino e dez para o executor do ataque. Andrei Lipatov, motorista que o levou ao local do ataque, deve pegar seis anos de cárcere.

Queixas. Filin já havia sido acusado de “favoritismo” por Nikolai Tsiskaridze, bailarino e coreógrafo, que deixou o Bolshoi recentemente após o fim de seu contrato. O diretor artístico foi apontado como pivô de conflitos com outros subordinados, como a mulher de Tsiskaridze, Angelina Vorontsova.

Por causa dos atritos com o marido da bailarina, Filin a destratava. “Ele dizia que ela estava fora de forma, que era grande demais. Tanto lhe oferecia papéis, como não”, declarou Tsiskaridze na semana passada. “Quando ele chegou ao Bolshoi minha situação mudou. Fui retirada da turnê de Paris e começaram a me dar menos papéis de solista”, disse Angelina.

Outra bailarina, a norte-americana Joy Annabelle Womack, contratada pelo Bolshoi, acusou a instituição de extorsão. No mês passado, ela denunciou a falta de cumprimento de seu contrato por parte do teatro, que havia retirado 30% de honorários sob alegação do desconto de impostos, porém, sem lhe atribuir o número de contribuindo individual, como diz a legislação trabalhista russa./TRADUÇÃO DE JOÃO FERNANDO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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