Madonna volta à terra natal com show irrepreensível

The Drowned World, a nova turnê de Madonna, alcançou o Estado natal (Michigan) da pop star durante o fim de semana. O Palácio de Auburn Hills, ginásio esportivo que fica a 50 minutos do centro de Detroit e a 20 do bairro onde a cantora cresceu, foi sede de dois shows com ingressos esgotados. Na noite de sábado, cerca de 15 mil pessoas encontraram uma Madonna descontraída. "Já fui babá, freqüentei a mesma escola ou sou parente de metade de vocês aqui", disse ela.No domingo, pontualmente às 21 horas (22 horas em Brasília), Madonna entrou no palco para uma das apresentações mais complexas de sua turnê: um show televisionado ao vivo para os Estados Unidos e toda América Latina, incluindo o Brasil, pela rede a cabo HBO. Descrita pelo diretor do programa Jamie King como uma "loucura de perfeccionista" a cantora cuidou de cada detalhe da performance de 110 minutos. Nada deu errado na frente das 22 câmeras espalhadas pelo ginásio (a não ser que conte um duende verde de pelúcia jogado no palco e chutado para fora por um dos bailarinos ou a própria, descalça, dando uma bica no que parecia ser um pedaço de pão). Anunciado como um show censura livre pela assessoria da HBO, esperava-se que a emissora, casa do libertino O Sexo e a Cidade e do ultra-violento A Família Soprano, dois dos programas mais controversos e cults seriados da atualidade, tivesse ido contra sua diretriz e amansado Madonna. Mas nada disso aconteceu. O linguajar chulo da cantora, mais sua dança com momentos orgiásticos e referências à violência contra a mulher, incluindo um estupro, foram garantidas.Ao contrário de seus shows na Europa e dos que já havia apresentado nos EUA, Madonna, dessa vez, substituiu a balada You´ll See por Gone e apareceu com novo visual: loira manteiga estilo Yara Baumgart e com o cabelo repartido no meio. O resto de sua apresentação seguiu o mesmo estilo das demais, com quatro esquetes diferentes: a da punk; seguida da parte asiática, em que ela aparece vestida como gueixa; a cyber vaqueira; e o fraco bloco latino, recuperado com o ótimo número de dança de Holiday, a canção final, e o bis com Music, que dá título a seu novo álbum. Musicalmente, Madonna arrasa na primeira parte do show, se valendo de uma clara sofisticação em seus agudos ao interpretar a canção Drowned World/Substitute for Love; tocando guitarra em Candy Perfume Girl; e levantando a platéia com Beautiful Stranger, Ray of Light e Impressive Instant. Durante a performance da última, os dançarinos-acrobatas colocam um grande tubo preto que solta fumaça branca por entre as pernas da cantora, enquanto ela entoa uma das partes do refrão: "I like to samba, samba, samba." A parte mais marcante do show, entretanto, é o visual proporcionado no segundo bloco, onde Madonna e seus dançarinos simulam lutas suspensas no ar, inspiradas pelo filme O Tigre e o Dragão. Mais para Cirque du Soleil do que para filme de Ang Lee, esse esquete, que agrega cinco das canções do espetáculo, é a parte mais subversiva da turnê da cantora. Com um fundo vermelho que parece saído da fotografia dos filmes de Antonioni e figurinos pretos que, apesar do toque oriental, lembram as cenas de rituais de filmes de José Mojica Marins e Dario Argento, Madonna quebra o pescoço de um samurai (que antes tentava decapitá-la com uma espada) e atira em outro homem. Empunhando a arma, ela pede a conivência do público. No mesmo bloco, um telão mostra também a cantora com um olho roxo e o nariz escorrendo sangue. Durante a apresentação de domingo, Madonna contou com a presença da amiga Rosie O´Donnell na platéia, além de vários familiares e de sua poderosa assessora Liz Rosenberg, que transitava por entre os engenheiros de som. Na platéia, entre bandeiras dos EUA, Venezuela, México e Itália, dois brasileiros empunhavam um cartaz com a frase: Madonna, The Boys of Brazil Love U. A HBO Brasil reapresenta o show de Madonna no dia 7 de setembro, às 19 horas.

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