Madonna retorna aos palcos e elege nova musa

Oops, Madonna fez novamente! Na noite de domingo, em seu primeiro show ao vivo desde 1993, a popstar, que há três anos elegeu a primeira dama argentina Eva Péron como objeto de obsessão cinematográfica, não mediu esforços em declarar sua admiração por uma nova musa "feminista": a lolita Britney Spears. Além de vestir uma camiseta preta com o nome da ninfetinha dona do hit Oops, I Did it Again, escrito em strass marrom, a popstar quarentona dedicou a Britney What it Feels Like for a Girl, o hino para as mulheres de seu novo CD, Music.Mas nem tudo foi estranho na volta de Madonna aos palcos depois de sete anos de ausência. Em 19 minutos de apresentação no espaço para shows Roseland Ballroom, três mil pessoas - entre VIPs, convidados da gravadora Warner e ouvintes de rádios FMs de Nova York que ganharam ingressos em promoções -, Madonna provou que está em excelente forma. Até melhor do que quando viajou o mundo, Brasil incluído, com sua turnê The Girlie Show. A material girl cantou apenas cinco canções, deixando o público com a sensação de uma volta numa montanha russa high tech: durou pouco, mas foi bom.O Roseland Ballroom, que fica na Broadway, próximo a vários teatros, foi decorado como que para uma espécie de festa de Peão de Boiadero, dando continuidade ao look country da capa de Music e do videoclipe do álbum, que já vendeu mais de sete milhões de cópias desde que foi lançado, no final de setembro. Na entrada, drag queens vestidas de índias navajo e rapazes de tanguinhas vermelhas e com coldre na cintura desfilavam por entre o público que incluía desde crianças a fãs hardcore, passando pela fauna clubber e por senhoras refinadas mandando e-mails por telefone celular - sem falar nos modelos, como Mark Vanderloo, da grife Donna Karan, perdidos no meio da multidão.O figurino, assim como o palco do Roseland, foi idealizado, a pedido de Madonna, pela dupla de designers italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana. O salão principal tinha várias imagens iluminadas na forma da letra M, ferradura, nota musical e um violão. Dois palcos foram armados: um principal e outro adjacente, encoberto por uma gigantesca bandeira americana. No mesmo canto esquerdo da casa, um cercadinho revestido de feno, maçãs e com dois cavalos brancos, em tamanho normal, feitos de plástico.O público era recepcionado ao som barulhento e chato do DJ Deep Dish. A platéia também acenava aos VIPs, acomodados num camarote no mezanino superior, com suas câmaras fotográficas apontadas para o salão. Entre as celebridades presentes, Gwyneth Paltrow, Donatella Versace e Rosie O´Donnell.O cantor e rapper Everlast, acompanhado ao violão por John Bigham e Chris Tomas, foi o escolhido por Madonna para abrir a noite. Everlast interpretou cinco canções de seu recém-lançado e bem recebido álbum Eat at Whitey´s. Entre elas, os hits Black Coffee, a primeira canção da noite, Black Jesus (a saideira) e a balada Love for Real, para a qual Everlast chamou ao palco a excelente cantora N´Dea Davenport. Mais 20 minutos de DJ na parada até surgir o sampler da voz em inglês e com sotaque afrancesado da atriz Charlotte Gainsbourg, enquanto um telão mostrava cenas dos olhos, nariz e boca de Madonna. O texto dito pela atriz francesa, filha de Serge Gainsbourg, faz parte do filme The Cement Garden, de Andrew Birkin, e também está no início da faixa What it Feels Like for a Girl, do álbum Music.A bandeira americana foi levantada às 20h40 (23h40 horário de Brasília), para o surgimento da imagem de Madonna agachada na caçamba de uma velha e desbotada caminhonete Ford, modelo 65. Quatro dançarinos morenos, também estavam em cima da pick up. O resto do cenário consistia de feno ao chão, cactos e montanhas rochosas dos lados, além de um céu escuro e estreladíssimo acima. Madonna abriu seu espetáculo cantando Impressive Instant.Ao final da primeira performance, ela se jogou no meio da multidão e, deitada, foi sendo passada de mão em mão até o palco principal, onde se juntou ao produtor de Music, o músico francês de origem afegã Mirwais Ahmadzaï, a uma pequena banda e duas backing vocais. "Boa noite, Nova York", disse a popstar. "Não é porque tive duas crianças que minha memória ficou ferrada", completou Madonna, utilizando-se de linguagem chula. Divulgação Britney Spears, nova musa "feminista" da cantora MadonnaPlena forma - A popstar vestia botas, chapéu de boiadeiro, uma calça preta com bordados laterais (do joelho para baixo) em dourado e uma jaqueta também preta; na cabeça, mesmo aplique. Ao cantar a segunda música, Runaway Lover, ela desfez-se da parte de cima, deixando à mostra a camiseta com o nome de Britney e com aberturas laterais. Três meses depois de dar à luz seu segundo filho, Madonna está em plena forma.Seu figurino único foi desenhado por Dolce & Gabanna, presentes ao show, foi escolhido de um total de 16 opções apresentadas pela dupla de estilistas na última semana. Nos recentes desfiles da grife, em Milão, uma imagem de Madonna foi utilizada em aplique em camisetas brancas. "Para nós, Madonna é a nova encarnação da mulher", disse Gabbana ao jornal Women´s Wear Daily. "Ela é mãe, artista, mulher, mas as vezes ela é também um homem."Durante o show, Madonna relembrou a primeira vez que pisou no Roseland. "Foi há 18 anos", disse. "Eu era a cantora que abria o show do (extinto) New Edition", prosseguiu. "Para Bobby Brown (um dos líderes da banda e atualmente músico solo e marido de Whitney Houston), que hoje deve estar aqui na platéia, tenho que dizer que agora também tenho um robe com meu nome inscrito no bolso."A terceira canção - e o melhor momento da noite - foi Don´t Tell Me, que será o novo single e videoclipe de Music. Ela chamou Mirwaïs para acompanhá-la ao violão e pediu ao francês para dizer boa noite ao público. "Bonjour (sic) e viva la France", falou o grandalhão. Madonna começou cantando sentada num banquinho, ao lado de Mirwaïs. No palco adjacente, dois violoncelistas e oito violinistas estavam dispostos em cima e na frente da caminhonete Ford e fizeram duas intervenções solos. Madonna acabou a apresentação dançando com suas duas backing vocais e mais quatro dançarinos. Após repetir o refrão final da canção - please, don´t tell me to stop/por favor, não me diga para parar - ela comentou: "Estou falando sério".Após dedicar a quarta música a Britney, Madonna atiçou a platéia para o grand finale. "Vocês gostam de boogie woogie?", disse. "Vocês gostam de lamber galinha? E de comer na cama? Preferem cavalgar num pônei branco ou num pônei preto?" Em seguida, ela entraria com a canção Music, sendo ovacionada pela platéia. Uma chuva de papel laminado foi despejada sobre o público e Madonna deixou o palco, sob uma cortina de gelo seco. Não houve bis.Madonna também deve se apresentar no final do mês na Brixton Academy, em Londres, para seletos quatro mil espectadores. Essas são as duas únicas apresentações oficiais da cantora, que deverá sair numa turnê mundial até o ano que vem. A popstar, que já havia mencionado essa sua intenção numa coletiva para a imprensa estrangeira em Los Angeles há duas semanas, voltou a falar de sua tour na entrevista que deu sexta-feira ao apresentador David Letterman, host do mais famoso talk show da TV americana.Repetindo um encontro polêmico entre os dois, ocorrido há seis anos - quando Madonna disse vários palavrões no ar, chamou o apresentador de "sujo e pervertido" e falou que tinha o hábito de urinar durante o banho - ela e o apresentador tiveram um começo de entrevista tenso, com ele especulando sobre a vida particular dela e recebendo respostas monossilábicas.Madonna vestia outro modelo de Dolce & Gabanna: um conjunto de blazer e calca preta, recoberto, nas laterais e lapelas, por apliques de rosas vermelhas. Letterman não deixou de provocar a cantora, ao mencionar o livro Sex, um portfólio de provocantes nus fotográficos feito pela cantora há dez anos. "Não sei porque o fiz, mas não há motivos para me desculpar; aliás, eu realmente não tenho nada do que me desculpar."Ao final do programa, Madonna levantou-se para cantar. Ganhou uma passada de mão do apresentador, antes de sentar-se num banquinho e começar a dedilhar um violão. Desajeitada com o instrumento - e se desculpando por isso ("só toquei no começo de minha carreira e nunca mais peguei num violão, para alegria de alguns músicos") -, ela foi acompanhada por seu professor de violão em Don´t Tell Me.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2000 | 19h44

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