Madonna recupera coroa de rainha pop

Com a canção Hung up em primeiro lugar nas paradas e seu novo álbum também a caminho do topo, Madonna recuperou a coroa de rainha inconteste do pop. Ela conversa sobre fé, família e sua imagem em constante transformação. E explica por que, aos 47 anos, voltou às suas raízes disco. ?Trouxe três aparelhos??, pergunta Madonna enquanto preparo meu gravador de fita. ?Não, Por quê?? ?Para o caso de falharem.? Há equipamentos de gravação por todos os lados. Madonna está no minúsculo estúdio doméstico de seu produtor em West Kilburn, Londres. Também está lá Stuart Price, o produtor inglês que converteu seu loft neste estúdio. Price tem 28 anos, 19 menos que Madonna. Eles começaram a trabalhar juntos há quatro anos, quando Madonna procurava um tecladista para uma turnê mundial e ouviu o trabalho de remixagem/DJ que Price realizou sob os nomes Jacques Lu Cont e Les Rythmes Digitales. Ele se tornou então seu diretor musica e escreveram juntos X-Static Process, que integra seu último álbum. ?Compor é uma coisa muito íntima, especialmente quando você escreve letras e as canta diante de alguém pela primeira vez. Para mim, cantar é quase como chorar e você precisa realmente conhecer alguém para chorar diante dele.? Ela olha para seu colaborador. ?Até agora eu não sentia que conhecia você o suficiente. Não estava 100% confiante na sua habilidade como compositor, se posso ser honesta.? Stuart Price: E você estava certa. Não achei que você estivesse pronto. O tanto que você cresceu daquela gravação para esta é enorme. Só pretendia compor algumas canções com você e fazer o grosso do disco com o Mirwais, mas as coisas foram em outra direção porque a primeira canção teve uma ressonância fabulosa.Price: Hung up. Madonna: E essa canção fez a minha cabeça sobre a direção musical a seguir. Até ali eu tinha feito uma trilha sonora inteira para um musical chamado Hello Suckers e isso não deu em nada porque resolvi que não queria fazer. Decidi então escrever um musical com Luc Besson, com ele fazendo o roteiro. Aí comecei um grupo inteiramente novo de canções e quando li o roteiro e o odiei, pensei: ?Isso é lixo, vamos jogar no lixo.? A essa altura eu estava exausta. Terminamos a turnê e minha gravadora dizendo: ?Você nos deve um álbum.? E eu: ?Estou sem idéias, estou esgotada.? Aí eu vim para cá para trabalhar experimentalmente e como aquela canção se saiu muito bem, eu disse: ?OK, é isso, vou fazer todo ele música dançante.? Madonna está com um terninho preto com riscas finas e botas de couro preto. Seu cabelo está repartido no meio e esticado, mas no dia seguinte ele será penteado para parecer Farrah Fawcett para o clipe de Hung up. As pessoas depois me perguntaram se gostei dela e eu realmente gostei dela. Ela estava de ótimo humor e riu um bocado. Parte do tempo, ela fez exercícios de alongamento que, segundo disse, são para entrar em forma depois do acidente recente quando montava a cavalo.Madonna: Durante a gravação do álbum, também estava editando um documentário que tinha terminado recentemente e que era muito doloroso... Ele se chamou I?m Going to Tell You a Secret e é pouco convencional. É cinematográfico, parece um diário. Eu estava voando para Estocolmo semana sim semana não para trabalhar na edição e estava difícil enxugar 350 horas de filmagens para duas horas. Isso estava me deixando arrasada.Price: Trabalhar no disco foi um alívio, então.Madonna: Foi o antídoto para o estresse daquele filme. Eu era só quero dançar. Quero me sentir livre, exuberante, feliz, calma.Observer Music Monthly (OMM): O novo disco soa moderno, mas há nele muito de seus primeiros anos nos clubes de Nova York. Aquela pista de dança marcando você quando você tinha... quantos anos?Madonna: Deus, 20, 21. Sim, meu impulso original era fazer música mais do que qualquer coisa. Eu costumava ir a este clube de Nova York, Danceteria, e vivia trazendo meus demos para o DJ, de modo que a música para mim começa com o DJ aceitando meu primeiro disco, Everybody, e achando-o bom o bastante para tocar para todo mundo dançar. Quando me mudei pela primeira vez para Nova York, eu queria ser bailarina. Nunca tinha me ligado na vida noturna, só conhecia bailarinos, nós íamos cedo para a cama e levantávamos cedo e íamos a concertos gratuitos no Lincoln Center. Aí eu conheci um cara e ele me levou para um nightclub e foi incrível. Era o Pete?s Place. Numa sala estava John Lurie e os Lounge Lizards e todos aqueles caras que pareciam artistas de cinema dos anos 40 e todas aquelas garotas que pareciam estrelas dos anos 50 e eu estava usando minhas roupas de dança. E essa foi minha apresentação à música dance. Eu pensei: Será que há outros lugares como este? Não sabia que você podia simplesmente entrar num clube e sair dançando sozinha. Achava que alguém tinha de tirar a gente.OMM: Como você era ingênua.Price: Difícil de acreditar.Madonna: Você pode dançar por seis horas, ninguém incomoda e não é preciso beber. Tive um sentimento incrível de liberação e me senti mais feliz. Estava acostumada a dançar, mas só quando alguém me dizia o que fazer. Por isso, no nightclub, eu estava em todos os cantos, misturando tudo. Dança de rua, dança moderna, um pouco de jazz e balé, eu era Twyla Tharp, era Alvin Ailey, era Michael Jackson. Pouco importava, eu era livre.O novo álbum chama-se Confessions on a Dance Floor e as faixas foram seqüenciadas de forma a se sucederem como uma peça de música contínua. A idéia era criar um disco semelhante à partitura de um musical, com temas recorrentes, combinado com a sensação de estar por uma hora num nightclub. A imagem de marketing predominante no material impresso do álbum e nas páginas publicitárias é a de um globo cintilante de discoteca dos anos 70 e uma estrela pop fogosa em traje de malhação tipo Jane Fonda. Ela canta sobre coisas banais, o que significa inevitavelmente a saga de ser Madonna: sua busca pelo conhecimento, por uma verdade mais profunda além das armadilhas da fama, por uma luz espiritual na escuridão. Não há grandes confissões, mas muita auto-afirmação. O disco é o mais perto que Madonna conseguiu chegar de um álbum conceitual e o conceito é simplicidade.Madonna: Tentei fazer uma coisa diferente com o Mirwais, mas não deu. Eu estava sempre querendo voltar para o estúdio do Stuart.Price: Uma cápsula de fuga.Madonna: Isso. Não conseguia parar de pensar em como era divertido trabalhar com Stuart. Conhece Mirwais? Sartre vêm à cabeça. Ele é muito intelectual, analítico, cerebral, filosófico. Você tem de estar com espírito para isso. Eu não queria pensar demais nas coisas.Acha que foi o que aconteceu com "American Life"?Madonna: Foi. Não aconteceu na primeira vez em que trabalhamos juntos, em Music, mas em American Life nós dois entramos numa espécie de... Price: Vertigem Madonna: Nós dois fomos sugados numa vertigem existencialista francesa. Nós decidimos que éramos contra a guerra. No último álbum eu estava com espírito medidativo, muito irada, com ânimo para ser política, irritada com Bush.OMM: Mas agora você está mais feliz? Madonna: É que eu já fiz aquilo. Não preciso insistir na guerra do Iraque. Fiz uma porção de declarações políticas no show e no filme. Não quero me repetir, por isso mudei para outra área e esta é ?Deus, estou com vontade de dançar agora?. Eu só queria um descanso.OMM: Dane-se a arte, vamos dançar?Madonna: O quê?OMM: Isso costumava estar nas camisetas nos anos 70.Madonna: É dane-se tudo, vamos dançar.OMM: Parece haver uma porção de referências a seus primeiro discos.Madonna: Mesmo? Por favor diga quais. Ouvimos uma porção de discos de outras pessoas quando estávamos fazendo este - obviamente Abba e Giorgio Moroder - por isso, para mim, é mais uma homenagem a discos de outras pessoas do que aos meus. Se há referências a discos anteriores provavelmente elas surgiram involuntariamente, parte de nossa estrutura molecular, aparece de vez em quando, felizmente de maneira não repetitiva ou aborrecida demais. Eu não poderia ter feito este disco em outro lugar senão aqui. O lugar onde você grava é muito importante. Não pode ser bonito demais, não pode ser caro demais, não pode ter vista para o mar ou o campo. Melhor seria numa cela de prisão com Pro Tools. Não quero saber o que está acontecendo no resto do mundo. Quero que seja exatamente como era quando eu escrevi minha primeira canção. Num espacinho quase sem nenhum fricote. Quero sempre que seja muito franco. Não consigo lidar com a pressão do custo das coisas. Senão eu penso. ?Oh, Deus, tenho que arranjar 12 hits para justificar o custo do espaço.? OMM: Se eu ouvisse isso de outra pessoa poderia acreditar.Madonna: É como eu penso. Todas as canções são em maior ou menor grau autobiográficas. How High está obviamente fazendo a pergunta, que importância tem a fama e quanto isso importa? E o que realmente importa? OMM: Todas essas são perguntas que você deve ter se feito por 20 anos. Chegou a alguma conclusão?Madonna: Claro, embora meu ponto de vista e filosofia continuam mudando. Com o passar dos anos você vive essa evolução. Você percebe que ter um disco em primeiro lugar e ser amada e adorada não é a coisa mais importante do mundo. Não tenho problema com isso. O que estou tentando dizer é que não sou uma estrela pop relutante. Estou muito grata e feliz por tudo que eu tenho e pelas coisas quando elas vão bem. Por outro lado, já tive o bastante do outro lado para saber que se não for, eu sobreviverei a isso e a vida vai em frente. Estou certa de que Deus não liga a mínima para quantos discos eu vendi ou quantos hits tive. O que importa para Ele é como me comportei, como tratei as pessoas. Penso nisso mais agora do que antes.OMM: As coisas ainda a magoam? Você tinha...Madonna: Cada coisa e tudo escrito sobre mim. Honestamente, não leio jornais revistas. Não quero ser manipulada não quero que me digam como devo pensar ou como devo receber as coisas. Tento tirar isso da minha vida. Também não quero ver fotos minhas com citações sarcásticas em baixo. Antes de dar entrevista gosto de saber com quem estou me encontrando e sobre suas sensibilidades. Li uma porção de avaliações sobre a minha última turnê e todas foram negativas. Agora, eu podia não dar a mínima, mas graças a Deus não lia quando estava em turnê.OMM: Elvis Costello disse que a pior coisa seria ler algo de um crítico influente e deixar que isso afete o que você faz.Madonna: Exatamente. Você tem essa luta interna. Não é importante mas, por outro lado, a mídia afeta muita gente, por isso você está constantemente tentando chegar a um equilíbrio entre respeitar uma coisa e não ligar para ela. Vamos falar de economia: sei que tem muita competição no mundo de revistas e jornais e temos de ter manchetes e ser sensacionais e vender e falar coisas ruins sobre mim vai vender mais jornais do que escrever coisas boas.OMM: Mas isso ainda a afeta? Madonna: Costumava ter um efeito enorme, mas estou acostumada às pessoas me malharem. Desde o começo da minha carreira tem gente me dizendo que eu não tenho talento, não sei cantar e sou um prodígio de um único sucesso. Isso foi há 22 anos.OMM: Você realmente pareceu surpreender as pessoas com sua performance em Live8.Madonna: Muita gente me ligou. Eu fiquei um pouco surpresa. Quer dizer, não era a primeira vez em que eu fazia um show.Price: Foi a única vez em que os bastidores se esvaziaram para ver alguém.A porta do estúdio se abre. Angela Becker, sua secretária pessoal, trouxe bebidas da Starbucks.Madonna: Isto é Chai Latte. Larguei o café porque estou na homeopatia. Por meus oito ossos quebrados.OMM: Tudo curado agora?Madonna: Nem tudo. Estou com uma costela que não ligou, como eles dizem no mundo misterioso da ortopedia. Mas todos os meus outros ossos - tem um tecido celular fibroso que os juntou, mas minha clavícula continua causando problema. Ainda não consigo levantar o braço acima da cabeça, mas estou fazendo um monte de reabilitação. Um monte. Não posso levantar acima disso... mas ainda posso te dar um tapa.OMM: Essa canção do novo álbum, "I Love New York".Price: Essa foi composta em turnê numa checagem de som. Madonna: Depois de uma excelente escolta policial. A canção é irônica! Eu adoro Londres. Por favor aceite a minha ironia.OMM: Você destrata Londres e Los Angeles e Paris. Madonna: Curiosamente, eu morei em todos esses lugares. Bem, não vivi em Paris Mas vamos encarar, com Nova York, é como enfiar o dedo na tomada. Quando eu ando pela rua em qualquer lugar as pessoas dizem, ?lá vai a Madonna?, mas em Nova York, os guardas dizem, ?ei, você voltou?. É como se eu tivesse voltado para casa.OMM: O que acontece quando você circula por aqui? Madonna: Aqui? Eu não circulo por aqui! Moro em Marble Arch e todo o mundo é saudita, todos usam véu e ninguém presta a menor atenção em mim. Se as pessoas me notam em Londres elas não fazem escândalo com isso.Price: Oh, pode acreditar, elas notam você.Madonna: Em Nova York elas gritam, ?não gosto da cor do seu cabelo?. Aqui elas fazem seus julgamentos mas guardam para si. I?m Going To Tell You a Secret vai ser mostrado no Channel 4 este mês e depois ficará disponível em DVD. Ele combina um diário de bastidores da última turnê com meditações sobre a sua busca espiritual por uma boa maneira de viver a vida. Ele termina com a viagem de Madonna a Israel no ano passado para aprender mais sobre a cabala e a tomada final é de duas crianças, uma israelense e uma palestina, caminhando juntas por uma estrada. É um filme político e revelador e oferece um panorama menos artificial do mundo que o filme de sua última turnê, Truth or Dare, há mais de uma década.Ele é particularmente revelador pelas cenas que Madonna resolveu não tirar, não menos as seqüencias com seus filhos e o marido Guy Ritchie.Numa delas, Madonna e as crianças estão testando a cama em sua suíte no hotel George V em Paris: ?Quem é a rainha, Rocco?? ela pergunta ao filho de 5 anos. ?Você, você?, diz ele. Noutra, Lourdes, que tem 8 anos, ensina a mãe a dizer ?vou lhe contar um segredo? em francês. Lourdes diz para a câmera que ela está esperando a turnê terminar para poder ver mais a mãe. Numa limusine depois de um show, Madonna está chateada porque seu marido compareceu a poucas de suas apresentações e não acredita nas explicações dele. ?Eu me casei por todas as razões erradas, meu marido não é a pessoa que eu imaginava... Não existe essa coisa de uma alma gêmea perfeita. Sua alma gêmea é a pessoa que toca nas suas feridas, azucrina constantemente e faz você encarar suas dificuldades. Não é fácil ter um bom casamento, mas não quero o fácil.? Stuart Price está no filme assim como Ritchie. Numa cena Madonna pergunta: ?Qual a diferença entre um terrorista e um astro pop? Você pode negociar com um terrorista.? Price me contou depois de uma projeção: ?Madonna é uma das pessoas mais bondosas e atraentes que se poderia encontrar e não a lunática que a maioria das pessoas acha que ela é.? O interessante é que você não está desacelerando.Madonna: Raios, não. Provavelmente isso é sinal de uma pessoa muito doente. Parte disso é o desejo de crescer e uma busca e parte é apenas o bom e velho comportamento obsessivo-compulsivo.OMM: A você é incisiva ao garantir que seus filhos não a estão desacelerando. Sabe o que Sylvia Plat ou Cyril Connolly ou Cyril Knowles citaram sobre o carrinho de bebê no hall ser o inimigo de criatividade e promessa?Madonna: Tem uma coisa que digo no filme quando estou com todos os músicos e dançarinos. É o último show, estou dizendo adeus com os olhos fechados e começo a chorar. Choro quando falo sobre minha família e minha vida criativa, a luta para manter o equilíbrio e fazer tudo bem. É uma luta e sei aonde Sylvia Plath quer chegar, em certa medida, embora não seja tão deprimida quanto ela. Era obcecada por ela quando estava no ginásio.OMM: Então se você não tivesse filhos...Madonna: Meu trabalho provavelmente não seria tão bom. Ter filhos me fez descer a estrada da introspecção séria e do auto-exame. Acho que isso tem fundamento e melhorou minha criatividade.OMM: Eles gostam da sua música?Madonna: Meu filho gosta de uma canção ou outra. O negócio dele é Usher e ele gosta de rhythm & blues. Ele faz a batida deles na sala de jogos. Ele é um bom dançarino de verdade. Minha filha é minha fã mas não quer ser óbvia demais sobre isso porque eu sou a sua mamãe e não fica bem. Ela adora Beyonce e qual é mesmo aquele grupo de garotos pelo qual toda garota inglesa é fiossurada?Stuart Price e OMM: Backstreet Boys? McFly? Blue? Westlife?Madonna: Não, não, se liguem. É uma coisa patética.OMM: E o seu marido, ele não me parece um Disco Queen.Madonna: Não, não é. Aliás, ele detestou algumas faixas.OMM: Do que é que ele gosta? Madonna: Ele gosta de música folk irlandesa.OMM: O que você ouve agora? Madonna: Gosto de trilhas sonoras de filmes.OMM: Você viu a exposição de Frida Kahlo no Tate Modern?Madonna: Vi. Dois de meus quadros estão lá. OMM: Mas eles não dizem ?Propriedade de Madonna? como alguns quadros de Edward Hopper traziam escrito embaixo ?Propriedade de Steve Martin??Madona: Talvez devessem dizer ?Propriedade de uma Estrela Pop?. Acho que dizem simplesmente ?Coleção Particular.? Fui à exposição - meio deprimente.OMM: Presumivelmente haverá uma turnê no próximo ano?Madonna: Provavelmente a Turnê Confissões ou a Turnê Confesse Seus Pecados.Price: Numa apresentação ao vivo você percebe em 30 segundos se uma coisa está funcionando ou não. Num estúdio você pode desaparecer nesta coisa intelectual, er...Madonna: Masturbação.Price: Masturbação, isso. Você pode achar que está fazendo alguma coisa realmente significativa mas numa arena viva isso não passa. Aí quando estamos trabalhando na coisa aqui eu tocava as faixas quando estava de DJ e ninguém sabia o que era e dava para ver como as coisas estavam de fato funcionando pela reação.Madonna: Isso foi uma coisa que nós fizemos com este disco que eu não tive o luxo de fazer antes. Como o Stuart vai de DJ por todo o mundo nós testamos tudo - versões copiadas para que eles não soubessem que era eu ou com apenas uma melodia de meu vocal no fundo. Eu até fiz ele filmar as coisas para mim em seu telefone para poder ver a reação do público.Price: Parece Sodoma e Gomorra. Se a reação não fosse instantânea nós voltávamos e mudávamos as faixas.Madonna: Ah se eu pudesse fazer tudo assim - anonimamente.OMM: O que pretende atingir como o novo álbum?Madonna: Quero apenas que as pessoas ouçam e digam, ?Oh meu Deus?. Quero que ele levante as pessoas e faça elas saírem dançando em suas casas, guiando seu carro até o disco terminar. É simples assim. Só quero deixar as pessoas felizes.Algumas semanas depois de nossa conversa, com os ossos curados, ela surgiu embaixo de um globo cintilante para cantar Hung up na premiação da MTV Europe em Lisboa. A rotina de dança a deixou um pouco sem fôlego, mas ela estava claramente se divertindo. Mais tarde, no show, ela entregou a Bob Geldof um prêmio por seu trabalho humanitário e seu discurso de apresentação foi tão genuíno quanto essas coisas podem ser. Geldof havia encontrado uma maneira de fazer diferença além da música, algo que Madonna desejava para si mesma.Mas, por enquanto, havia um álbum de disco para promover e quando o show da MTV terminou ela voltou sua atenção para uma apresentação intimista no Mornington Crescent, no norte de Londres. O Koko, antigo Camden Palace, foi o local da primeira apresentação de Madonna na capital em 1983 e agora, em seu retorno, ela se exibiu como se ainda precisasse provar alguma coisa. ?É tão bom estar de volta?, disse ela, pouco antes de começar a sacudir a cabeça.Foi um grande pequeno show. Suas roupas eram cor de malva, o globo cintilante girava, Stuart Price e os outros músicos pareciam uma banda cover dos anos 70 com seus ternos brancos. Ela começou cantando Hung up, sua nova número um, e prosseguiu com três outras canções do álbum, que àquela altura da semana estava batendo as vendas de sua concorrente mais próxima de três para um. Ela introduziu I Love New York com a explicação de que era onde ela havia aprendido a sobreviver. Por último, Madonna disse: ?É tudo uma questão de sobrevivência.?

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