REUTERS/Eduardo Munoz
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Madonna afirma que Harvey Weinstein 'passou dos limites' e foi 'sexualmente insinuante' com ela

Declaração foi dada ao jornal The New York Times; cantora trabalhou com produtor em 1991

Redação, EFE

06 de junho de 2019 | 16h32

A cantora Madonna revelou nesta quinta-feira que quando trabalhou com Harvey Weinstein, em 1991, o poderoso produtor de Hollywood acusado de diversos abusos sexuais "passou dos limites e foi incrivelmente insinuante sexualmente e direto" com ela, algo que ocorria com muitas mulheres que conhecia.

Na entrevista publicada hoje pelo jornal The New York Times, a cantora de 60 anos aborda distintos aspectos de sua vida e, quando questionada sobre a experiência de gravar o documentário Truth or Dare com o estúdio de cinema Miramax, propriedade dos irmãos Weinstein, afirmou ter vivido o mesmo que outras mulheres da indústria do entretenimento.

"Harvey cruzou linhas, passou dos limites, foi incrivelmente insinuante e direto comigo quando estávamos trabalhando juntos; ele estava casado nesse momento, e eu, claro, não estava interessada", lembrou a artista sobre o produtor, de 67 anos, cujas condutas inapropriadas foram reveladas na imprensa americana em outubro de 2017.

Mais de 80 mulheres, entre elas conhecidas estrelas de Hollywood como Salma Hayek, Angelina Jolie e Lupita Nyong'o, o acusaram de condutas sexuais inapropriadas desde então e, além disso, Weisntein enfrenta um processo penal por crimes sexuais cujo julgamento no estado de Nova York está previsto para setembro.

Esse escândalo foi o estopim de uma onda feminista em Hollywood que, articulada posteriormente sob o movimento Me Too, apontou outros supostos agressores sexuais e depois atingiu o mundo da política e dos meios de comunicação, dando lugar a outro movimento, o Time's Up.

"Todas pensávamos: 'Harvey faz isso porque tem tanto poder e é tão bem-sucedido e, além disso, seus filmes são tão bons, que é preciso aguentar'. E assim era", comentou também a empresária e atriz.

Madonna admitiu que, quando explodiu o escândalo de acusações de assédio e abuso sexual contra o produtor, se sentiu aliviada e pensou "finalmente", mas rejeitou ter celebrado tal fato. "Não comemorei com veemência porque nunca vou comemorar a queda de alguém".

Há apenas duas semanas, Weinstein chegou a um pré-acordo de US$ 44 milhões para encerrar os processos apresentados contra ele por algumas de suas vítimas e pelo estado de Nova York. O pré-acordo não afeta o caso penal no qual é acusado de estupro e outros crimes dos quais se declarou inocente.

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