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Madeleine Peyroux já troca suavidade por atrito

Em show único, cantora apresentou pela primeira vez quatro canções de novo CD

09 de junho de 2010 | 19h13

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Madeleine não é mais a mesma. Está mais barulhenta, estridente, funky. Pouco sobrou da diva jazzy das baladas acústicas (nelas, ainda é a excelência em pessoa). O fato é que ela está dando uma guinada na carreira. No show que fez na terça, 8, no Teatro Bradesco, a cantora americana Madeleine Peyroux mostrou quatro músicas novas que vão integrar um disco que ainda prepara – Standin’ on the Rooftop, The Kind You Can’t Afford, Ophelia e Wild Card in the Hole (essa última uma desconhecida composição do pai da canção folk americana, Woody Guthrie). Apontam para uma pegada de funk e rock, solos de guitarra, duelos entre voz e metal.

 

Standin’ on the Rooftop é fogo no telhado, com o solo de trompete turbinado de Ron Miles (sideman de Bill Frisell). The Kind You Can’t Afford é uma guitar ballad. "Essa música é sobre uma pessoa rica falando com uma pessoa pobre a respeito do que ela não possui. Podem imaginar isso?" Na novíssima banda, destaca-se o órgão Wurlitzer do pianista Gary Versace.

 

Madeleine tocou 16 temas, metade deles ultrafunkeada. Mas começou em carícias, abrindo com o coté Billie Holiday que a imortalizou em I Hear Music. Disse à plateia que iria alternar "canções de amor e de bebida". Sabe da reputação dor de cotovelo, e zomba disso. "Essa é uma canção feliz. A única que eu tenho", brincou, após cantar Instead. A partir de agora, além de melancólica, ela soa deliciosamente nervosa.

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