Macy Gray, a antidiva do soul, está de volta

Macy Gray, a antidiva do soul, está de volta. Hoje e amanhã ela canta no Tom Brasil-Nações Unidas um repertório com ênfase no terceiro álbum, The Trouble with Being Myself, de 2003, e promete surpresas. Depois de São Paulo, ela segue para Porto Alegre (sexta) e Rio (sábado). O roteiro inclui canções dos dois discos anteriores que deram o tom à sua memorável estréia nos palcos brasileiros, no Free Jazz Festival de 2001. "A diferença é que agora tenho mais músicas e a banda está mais coesa", disse a cantora, que ficou entusiasmada com o público da vez anterior. "Foi ótimo ter cantado aqui, mas eu estava meio tensa naquela turnê. Agora estou mais relaxada e me divertindo mais." A propósito, o título do novo disco da cantora (O Problema de Ser Eu Mesma) refere-se ao fato de ela ter sido mal interpretada pela imprensa, quando se manifestou contra a Guerra do Iraque logo depois do 11 de setembro. "Não tento me adaptar ao que a mídia quer ouvir, por isso corro o risco de me tornar impopular." Na segunda-feira ela concedeu uma entrevista coletiva em São Paulo e disse que detesta ser chamada de diva, termo considerado pejorativo nos Estados Unidos. "Serve para designar pessoas chatas, cheias de manias. Sou apenas uma grande cantora", debochou. Pois não é que continuaram usando a expressão para classificá-la? Macy volta num bom momento da carreira. The Trouble with Being Myself é seu álbum mais linear e ao mesmo tempo o mais bem realizado dos três. Com menos elementos de hip hop e referências ao blues e música latina dos anteriores, este é mais calcado no soul e no funk tradicionais. Há ótimas canções, com apelo irresistível à dança. Uma delas é When I See You, que se popularizou na trilha da novela Da Cor do Pecado. "Minhas principais referências são da soul music: Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross. O álbum que me fez despertar para a música foi Everyday People, do Sly and The Family Stone?, diz a cantora que também afirma que em alguns momentos, teve influências do pop-rock e do jazz. Toco piano desde os 10 anos e tive muita sorte de ter tido contato com todos esses gêneros musicais, que me influenciaram." Em relação às suas contemporâneas Mary J. Blige, Missy Elliot e Beyoncé, igualmente poderosas e consideradas "divas" da música negra, ela é cautelosa, evitando comparações e prováveis rivalidades. "A maior competição nem é entre as cantoras, mas para sobreviver no ramo. Hoje você tem de pensar no marketing, tem de se vestir certo, tem de ter a música certa. A rivalidade é muito mais involuntária." A música certa ela tem. O show é daqueles para não se perder.Macy Gray - Tom Brasil/Nações Unidas. Rua Bragança Paulista, 1281, 2163-2000. Hoje e amanhã, 22 horas. R$ 100 a R$ 250.

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